É com enorme preocupação que assisto ao desenrolar deste braço de ferro entre o governo Costa e Bruxelas.
Não se pode ignorar do momento crítico que Portugal atravessa neste momento. Já antes tivemos crises terríveis, mas esta atingiu todos os limites. Estamos a um passo de cair no abismo que se abre sob nós. Quase tudo dependente de um Orçamento de Estado. E toda esta situação, lamento quebrar a ilusão dos facilitistas e dos populistas, podia ter sido evitada se a esquerda parlamentar não tivesse decidido jogar a peça da instabilidade, mais, se o povo português tivesse decidido manter a maioria da direita por mais quatro anos. Podem cair-me em cima, mas é uma verdade que só por motivações políticas é que não se consegue ver. O anterior governo tinha delineado um plano, cujo alcance se estendia para o futuro, projetos, metas, todas elas alcansáveis, todas elas satisfatórias para a Europa, todas elas menos difíceis a cada ano que passasse, uma vez que o mergulho profundo da austeridade fora o dos tempos da troika. Mas as asas deste projeto foram infelizmente cortadas antes de este descolar, pela ganância de poder do atual primeiro-ministro, que, servindo-se da ambivalência das normas constitucionais e apoiando-se precariamente num acordo entre quatro vontades cujo único ponto convergente era o querer expulsar os governantes da austeridade. E assim caímos nesta alhada, com o nosso futuro a depender do trabalho de um primeiro-ministro cuja competência e legitimidade não lhe reconheço, e de um elenco ministerial meio académico, meio bacoco. Temo pelo país.
Temo pelo país, mas sou sincero nos meus desejos: prefiro ver Costa a triunfar e o país a ser salvo do que satisfazer a minha vontade de o ver falhar, mas com o custo de o país se perder irremediavelmente. Prefiro que Costa tenha sucesso e que o país entre finalmente no eixos do que ver o comboio a descarrilar e o maquinista a cair da ribanceira abaixo. Esperemos que o país não sofra com esta maluqueira toda. É o meu mais profundo desejo, neste momento. Isso e ter saúde, já que dinheiro, quer venham uns, quer venham outros, nunca há...