Esta semana iniciou-se a 7ª avaliação da troika. Os robôs foram ativados e estão programados para friamente avaliar os cortes necessários para "melhorar" a condição sócioeconómica do país.
Os leitores já ouviram falar de H G Wells? Foi um escritor de ficção-científica. E porque é que o invoco para este texto?, perguntam-se. Pois, se o leitor reparar bem, a atual situação do país parece o cenário de um dos seus romances. Há um país, um povo e um governo austero. E o que acontece então? Três robôs, um escuro e os outros claros, aparecem para escravizar esse povo e ditar as regras desse governo. É ou não é um romance de Wells? A troika já programou os seus robôs e eles cumprirão, a todo o custo, a sua missão. Fria e maquinalmente, os robôs destruirão, lenta e ponderadamente, o país, para assim, avançarem para o próximo. Estes invasores troikianos insistem na aniquilação dos países vítimas. O pior é que não há arma contra eles. São intocáveis. Ao governo, assobia-se com razão, mas aos robôs, por nenhuma razão plausível, não se assobia nem se canta a música da liberdade. É uma falha injustificável do povo que não gosta de ser pisado. Pelo menos, que não gosta de ser pisado por um governo democrático. A política do chicote falhou, por isso, a missão dos robôs troikianos foi bem sucedida. Conseguiram atingir o ponto do quase sem retorno. Ainda não é tarde. Expulsar os invasores era uma ideia genial para o governo subir, pelo menos, alguns pontos na consideração dos portugueses.
O que devemos fazer, então? Bom, a troika propôs a a política do chicote para os portugueses. Porque não retribuir? Mostrar a esses autómatos troikianos que quem manda no país é o povo e não invasores alienígenas incumbidos por uma entidade fria e cruel que os programou para aniquilar os países que são vítimas deles.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
O muro vermelho
Será impressão minha, ou está mesmo a Esquerda a dizer que é precisa a mudança de rumo? Eu concordo plenamente com eles, mas se eles esperam que o rumo mude para o deles, estão já a sonhar.
Qual é o maior entrave de um governo? Não só é o próprio governo, como também é a oposição culpada de não se avançar em nenhuma assembleia. Eu não estou de acordo com a ditadura, mas é verdade que haveria mais progresso com menos deputados lá na Assembleia. Mas, como o governo é de Direita, o seu maior obstáculo é a Esquerda. PS, PCP e BE são, neste momento, o muro onde o governo esbarra constantemente. O governo mexe um dedo, o PS diz que é ilegítimo mexer um dedo, o PCP diz que se deve mexer apenas uma falange e o BE diz que é preciso demitirem-se e que é preciso mudar de rumo e por aí fora. Estou de acordo que se deva mudar de política de austeridade, mas mudar para o socialismo ou, pior, para o comunismo seria devastador. Há alternativas mais fiáveis. Poucas, mas há. Governo e oposição não se dão bem. Isso é óbvio. Gato e rato, sempre, todos os dias, constantemente. É por isso que o país não avança. Se imaginarmos o país como um carro em movimento e o governo como o condutor embriagado, o muro onde irá bater será a oposição. É claro que o governo perdeu a razão há muito tempo, mas com isso, também perdeu a oposição a sua razão. Especialmente o PS. Foi ele o causador desta imensa crise, que este governo decidiu piorar. António José Seguro continua a insistir na mudança de rumo. Se não tivesse sido o seu partido a arruinar o país, eu até concordava. Jerónimo de Sousa insiste que o governo se deve demitir. Se o comunismo não tivesse falhado desde 1922, eu acreditaria nele. Se o BE não fosse um imitador do PCP, eu apoiá-lo-ia (talvez).
Conclusão: a Esquerda deve mudar de cassete. Antes do governo admitir o seu óbvio falhanço, os partidos de oposição devem admitir o deles. Assim, talvez, se chegarem a um consenso, o país possa avançar. Ou isso, ou afastarem-se ambos os lados da política e deixarem outros tentar a sua sorte. Quando tudo o resto tiver falhado, aí poderemos voltar ao vai-não-vai da Esquerda e da Direita.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Educação hoje em dia
Eu não sou particularmente fã de Miguel Relvas. Nem de certas medidas do governo. Nem, tampouco, da falta de educação. E falta de educação aqui não falta.
Passo a explicar: Esta semana, Miguel Relvas foi a uma conferência, onde, enquanto falava, começaram a cantar a "Grândola Vila Morena". Não foi muito perturbador, pois o ministro adjunto não se importou e até acompanhou os cantores. Mas, 24 horas depois, Miguel Relvas foi a uma outra conferência, na qual se verificaram momentos de estupidez. O ministro quase nem pôde começar a falar, já um numeroso grupo de estudantes começara a cantar a mesma música que há um dia outros lhe haviam cantado. Que se cante uma música tão bonita e ímpar como a "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso, é algo que revela esperanças de que o povo português ainda pode ser respeitado, mas interromper alguém é de uma falta de educação de causar febre naqueles que foram devidamente educados. Mesmo que Relvas seja um aluno que estuda com tanto afinco que o levou a completar a licenciatura em meses, não se interrompe uma pessoa enquanto fala. Relvas, com a decência do seu lado, pela primeira vez, saiu do auditório.
A mesma situação verificou-se no dia seguinte, quando antes mesmo de Paulo Macedo poder dizer alguma coisa já se encontravam mais estudantes a cantar a mesma música que os outros. Paulo Macedo esperou que eles acabassem com a cantoria e com os insultos e começou a conferência, que esperou pacientemente que os estudantes acabassem.
Os analistas dizem que a educação no nosso país anda a regredir. Bom, após estes dois exemplos, posso afirmar que concordo com eles. A educação está mesmo numa espiral descendente.
O meu conselho aos portugueses é que se manifestem, sim senhor, mas educadamente. Para a próxima, vaiem, insultem e cantem o que quiserem, mas depois da pessoa que vaiarem ou insultarem ter acabado o que tinha a dizer.
Passo a explicar: Esta semana, Miguel Relvas foi a uma conferência, onde, enquanto falava, começaram a cantar a "Grândola Vila Morena". Não foi muito perturbador, pois o ministro adjunto não se importou e até acompanhou os cantores. Mas, 24 horas depois, Miguel Relvas foi a uma outra conferência, na qual se verificaram momentos de estupidez. O ministro quase nem pôde começar a falar, já um numeroso grupo de estudantes começara a cantar a mesma música que há um dia outros lhe haviam cantado. Que se cante uma música tão bonita e ímpar como a "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso, é algo que revela esperanças de que o povo português ainda pode ser respeitado, mas interromper alguém é de uma falta de educação de causar febre naqueles que foram devidamente educados. Mesmo que Relvas seja um aluno que estuda com tanto afinco que o levou a completar a licenciatura em meses, não se interrompe uma pessoa enquanto fala. Relvas, com a decência do seu lado, pela primeira vez, saiu do auditório.
A mesma situação verificou-se no dia seguinte, quando antes mesmo de Paulo Macedo poder dizer alguma coisa já se encontravam mais estudantes a cantar a mesma música que os outros. Paulo Macedo esperou que eles acabassem com a cantoria e com os insultos e começou a conferência, que esperou pacientemente que os estudantes acabassem.
Os analistas dizem que a educação no nosso país anda a regredir. Bom, após estes dois exemplos, posso afirmar que concordo com eles. A educação está mesmo numa espiral descendente.
O meu conselho aos portugueses é que se manifestem, sim senhor, mas educadamente. Para a próxima, vaiem, insultem e cantem o que quiserem, mas depois da pessoa que vaiarem ou insultarem ter acabado o que tinha a dizer.
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