"Não vai haver ninguém igual a nós quando partirmos, assim como não há ninguém igual a nenhuma outra pessoa."
Após meses de sofrimento devido a cancro, partiu o neurocirurgião e escritor Oliver Sacks. Aos seus familiares e amigos deixo as minhas condolências. O mundo perdeu com a sua partida.
"Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante nesse planeta maravilhoso e isso, por si só, tem sido um enorme privilégio e aventura."
domingo, 30 de agosto de 2015
sábado, 22 de agosto de 2015
A demissão de Tsipras e a hipocrisia de Varoufakis
Esta semana fomos surpreendidos pelo anúncio da demissão de Tsipras.
Alexis Tsipras demitiu-se e convocou eleições antecipadas. A minha visão é a seguinte: revela responsabilidade o que Tsipras fez no sentido em que percebe o que é melhor para o povo grego. Tal como Sócrates se demitiu à quatro anos para deixar a casa a arder nas mãos de outros mais competentes (digam o que disserem, não deixa de ser verdade), também Tsipras o fez. Até aqui, tudo bem. A questão que me leva a escrever: Varoufakis revelou finalmente aquilo que ele é - um hipócrita. Ele criticou o governo de Tsipras, disse que o povo grego foi traído pelo governo de Tsipras. Que legitimidade tem ele, que pertenceu a esse governo, de dizer tais palavras? Se o governo de Tsipras traiu o povo grego, também ele o fez. Quer queira, quer não, fez parte desse governo e contribuiu para a suposta traição. Estamos a brincar? É assim? Um homem que fez birra contra uma dívida que, digam os comunistas o que disserem, completamente legal e legítima critica a sua própria atuação como se não fosse nada com ele? O povo grego é que escolheu, no fundo, tudo aquilo que se passou. Decidiram brincar com coisas sérias e o resultado está à vista: um governo brevíssimo que cairá em breve. Espero que o povo grego tenha aprendido a lição. Espero mesmo que agora as coisas comecem a correr melhor. Pelo bem da Grécia.
E foi tudo.
Alexis Tsipras demitiu-se e convocou eleições antecipadas. A minha visão é a seguinte: revela responsabilidade o que Tsipras fez no sentido em que percebe o que é melhor para o povo grego. Tal como Sócrates se demitiu à quatro anos para deixar a casa a arder nas mãos de outros mais competentes (digam o que disserem, não deixa de ser verdade), também Tsipras o fez. Até aqui, tudo bem. A questão que me leva a escrever: Varoufakis revelou finalmente aquilo que ele é - um hipócrita. Ele criticou o governo de Tsipras, disse que o povo grego foi traído pelo governo de Tsipras. Que legitimidade tem ele, que pertenceu a esse governo, de dizer tais palavras? Se o governo de Tsipras traiu o povo grego, também ele o fez. Quer queira, quer não, fez parte desse governo e contribuiu para a suposta traição. Estamos a brincar? É assim? Um homem que fez birra contra uma dívida que, digam os comunistas o que disserem, completamente legal e legítima critica a sua própria atuação como se não fosse nada com ele? O povo grego é que escolheu, no fundo, tudo aquilo que se passou. Decidiram brincar com coisas sérias e o resultado está à vista: um governo brevíssimo que cairá em breve. Espero que o povo grego tenha aprendido a lição. Espero mesmo que agora as coisas comecem a correr melhor. Pelo bem da Grécia.
E foi tudo.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Sobre Manuela Ferreira Leite
Exatamente. Foi António Costa (não só, mas vá...) que me levou a falar de Manuela Ferreira Leite. Estranho...
Nunca percebi o porquê de as pessoas não gostarem da Manuela Ferreira Leite. Nunca consegui perceber. Ela não deu nas vistas antes de ser presidente do PSD e não deu nas vistas depois de o ser. Quando se lembram os meios de comunicação, lá vão falando de situações e isso. Mas a razão que me leva a escrever: porque será que as pessoas odeiam tanto alguém que apenas disse a verdade? Quando Ferreira Leite disse que o país ia a caminho do abismo, ninguém deu ouvidos. O que aconteceu? O país caiu no abismo. Quando Ferreira Leite chamou a atenção para as incongruências económicas de Sócrates, ninguém quis saber. O que se verificou? Contas inconsistentes e números ocultos. E ela nunca se armou em espertinha e disse: "eu bem avisei". Por estas e outras, Manuela Ferreira Leite preenche os requisitos que o povo acha que devem preencher os políticos a sério. Então porque será que a odeiam tanto? Leio os comentários sobre ela nas redes sociais e espanto-me com a quantidade de pessoas que não gosta dela, quando ela tem tudo para que as pessoas gostem dela. É complicado. É um daqueles paradoxos aos quais nunca se responderá.
Claro que deixo uma nota sobre a sua menção mais recente. Acho muito bem que Costa pondere que Manuela Ferreira Leite faça parte de um governo. A única diferença é que devia ser ela como primeiro-ministro e Costa como ministro.
Nunca percebi o porquê de as pessoas não gostarem da Manuela Ferreira Leite. Nunca consegui perceber. Ela não deu nas vistas antes de ser presidente do PSD e não deu nas vistas depois de o ser. Quando se lembram os meios de comunicação, lá vão falando de situações e isso. Mas a razão que me leva a escrever: porque será que as pessoas odeiam tanto alguém que apenas disse a verdade? Quando Ferreira Leite disse que o país ia a caminho do abismo, ninguém deu ouvidos. O que aconteceu? O país caiu no abismo. Quando Ferreira Leite chamou a atenção para as incongruências económicas de Sócrates, ninguém quis saber. O que se verificou? Contas inconsistentes e números ocultos. E ela nunca se armou em espertinha e disse: "eu bem avisei". Por estas e outras, Manuela Ferreira Leite preenche os requisitos que o povo acha que devem preencher os políticos a sério. Então porque será que a odeiam tanto? Leio os comentários sobre ela nas redes sociais e espanto-me com a quantidade de pessoas que não gosta dela, quando ela tem tudo para que as pessoas gostem dela. É complicado. É um daqueles paradoxos aos quais nunca se responderá.
Claro que deixo uma nota sobre a sua menção mais recente. Acho muito bem que Costa pondere que Manuela Ferreira Leite faça parte de um governo. A única diferença é que devia ser ela como primeiro-ministro e Costa como ministro.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
"Eu sou a vítima"
Adivinhou. Irei mais uma vez escrever sobre José Sócrates, o pobre coitado que está a ser castigado pelos erros que cometeu, imagine-se uma barbaridade dessas!
Vejo assim: o PS já se encontra à frente um ou dois pontos percentuais à frente da coligação, portanto, isso a mim soa-me a vitória (claro que chamar vitória a um governo de minoria é relativo). Não, meu caro ex-primeiro-ministro/presidiário, não é por estar preso que o PS possa não ganha as eleições. É por ter Costa a concorrer ao cargo, é por ultimamente só meter os pés pelas mãos, é... Penso que não preciso de continuar. O PS, graças a deus, já o ultrapassou há muito tempo. Não está dependente dele para ganhar ou perder. Está dependente da sua aptidão e da sua capacidade (com Costa a conduzir, é pouca, no entanto...). Sócrates continua com a ideia de que ele é o centro da vida política portuguesa, quando agora não passa de mais um caso (bem sucedido, por sinal) de direito penal. Continua a fazer-se de vítima quando todos os portugueses (vá, todos os portugueses que não andaram a dormir estes últimos dez anos) sabem bem, não só como foi ele preso, mas também porquê. Tudo bem que pode ter razão em dizer que não devia estar preso preventivamente tanto tempo, mas merece. Merece tudo o que passar nos últimos tempos, todo o desconforto que sentir nos próximos tempos. Digam o que disserem, merece. Não sofre em vão quem não faz sofrer.
E acabei de dizer o que tinha a dizer.
Vejo assim: o PS já se encontra à frente um ou dois pontos percentuais à frente da coligação, portanto, isso a mim soa-me a vitória (claro que chamar vitória a um governo de minoria é relativo). Não, meu caro ex-primeiro-ministro/presidiário, não é por estar preso que o PS possa não ganha as eleições. É por ter Costa a concorrer ao cargo, é por ultimamente só meter os pés pelas mãos, é... Penso que não preciso de continuar. O PS, graças a deus, já o ultrapassou há muito tempo. Não está dependente dele para ganhar ou perder. Está dependente da sua aptidão e da sua capacidade (com Costa a conduzir, é pouca, no entanto...). Sócrates continua com a ideia de que ele é o centro da vida política portuguesa, quando agora não passa de mais um caso (bem sucedido, por sinal) de direito penal. Continua a fazer-se de vítima quando todos os portugueses (vá, todos os portugueses que não andaram a dormir estes últimos dez anos) sabem bem, não só como foi ele preso, mas também porquê. Tudo bem que pode ter razão em dizer que não devia estar preso preventivamente tanto tempo, mas merece. Merece tudo o que passar nos últimos tempos, todo o desconforto que sentir nos próximos tempos. Digam o que disserem, merece. Não sofre em vão quem não faz sofrer.
E acabei de dizer o que tinha a dizer.
sábado, 8 de agosto de 2015
Alternativa de confiança
Todos estamos a par das polémicas que têm causado os cartazes de campanha do PS, certo?
A minha análise é a seguinte: eu não confiaria o governo de um país a uma "alternativa" que desde o início da campanha eleitoral tem metido os pés pelas mãos inúmeras vezes. Mas isso sou eu. Ora vejamos. Primeiro, António Costa apresenta-se como alternativa de confiança. Erro. Alternativa é prometer algo diferente, não é retroceder ao estado anterior ao atual. Segundo, temos o cartaz onde uma senhora conta a sua situação de desempregada, os números apresentados remetendo para o período Sócrates. Gaffe? Ou deslize para a verdade? Terceiro, agora surge-nos a notícia de que uma dos figurantes dos cartazes não é desempregada. É funcionária de Câmara e não autorizou o PS a utilizar a sua fotografia (o que não parece ter impedido o referido). Há inúmeros ângulos pelos quais analisar António Costa, a alternativa fiável de regresso a 2010, o homem que só fez bem pela Câmara de Lisboa, mesmo sabendo nós que não é bem assim e pergunte-se a qualquer lisboeta para confirmar, o homem idolatrado que chegou a candidato legislativa através de um reles golpe baixo, apunhalando pelas costas aquele que lutou verdadeiramente pela regeneração da imagem do Partido Socialista. Eu podia continuar, mas penso ter esclarecido o meu ponto de vista.
Não, não voto em António Costa. Atenção, eu disse Costa, não PS. Eu votaria no PS se este apresentasse um candidato melhor que a Coligação. Mas falha redondamente nesse aspeto. Do mal o menos. Prefiro o atual executivo, que apesar dos seus inúmeros pecados, sei que se manterão mais ou menos dentro da mesma linha. Costa dará o retrocesso à era Sócrates, ao populismo eleitoral. Se votaria em branco? Sem dúvida, se não houvesse o risco de Costa ganhar as eleições. Não gostaria de saber que Costa chegou a primeiro-ministro porque eu não votei em nenhum. Mais uma vez declaro que o povo ignora o seu real poder. O voto em branco é verdadeiro poder democrático. Já falei deste, voltarei a falar deste. Agora não, que o espaço é curto. Termino assim esta crónica.
A minha análise é a seguinte: eu não confiaria o governo de um país a uma "alternativa" que desde o início da campanha eleitoral tem metido os pés pelas mãos inúmeras vezes. Mas isso sou eu. Ora vejamos. Primeiro, António Costa apresenta-se como alternativa de confiança. Erro. Alternativa é prometer algo diferente, não é retroceder ao estado anterior ao atual. Segundo, temos o cartaz onde uma senhora conta a sua situação de desempregada, os números apresentados remetendo para o período Sócrates. Gaffe? Ou deslize para a verdade? Terceiro, agora surge-nos a notícia de que uma dos figurantes dos cartazes não é desempregada. É funcionária de Câmara e não autorizou o PS a utilizar a sua fotografia (o que não parece ter impedido o referido). Há inúmeros ângulos pelos quais analisar António Costa, a alternativa fiável de regresso a 2010, o homem que só fez bem pela Câmara de Lisboa, mesmo sabendo nós que não é bem assim e pergunte-se a qualquer lisboeta para confirmar, o homem idolatrado que chegou a candidato legislativa através de um reles golpe baixo, apunhalando pelas costas aquele que lutou verdadeiramente pela regeneração da imagem do Partido Socialista. Eu podia continuar, mas penso ter esclarecido o meu ponto de vista.
Não, não voto em António Costa. Atenção, eu disse Costa, não PS. Eu votaria no PS se este apresentasse um candidato melhor que a Coligação. Mas falha redondamente nesse aspeto. Do mal o menos. Prefiro o atual executivo, que apesar dos seus inúmeros pecados, sei que se manterão mais ou menos dentro da mesma linha. Costa dará o retrocesso à era Sócrates, ao populismo eleitoral. Se votaria em branco? Sem dúvida, se não houvesse o risco de Costa ganhar as eleições. Não gostaria de saber que Costa chegou a primeiro-ministro porque eu não votei em nenhum. Mais uma vez declaro que o povo ignora o seu real poder. O voto em branco é verdadeiro poder democrático. Já falei deste, voltarei a falar deste. Agora não, que o espaço é curto. Termino assim esta crónica.
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