segunda-feira, 30 de março de 2015

100 anos da revista Orpheu

Fez na passada terça-feira, dia 24, um século da publicação da Revista Orpheu.

Orpheu é ainda hoje um fenómeno único na literatura portuguesa. Único no sentido em que muita gente tenta ainda perceber o que foi realmente. Tratou-se de algo tão peculiar nas letras portuguesas. Pela primeira vez, a literatura portuguesa encontrava-se em sincronia com a literatura estrangeira. Pela primeira vez, Portugal acompanhava o progresso, nas artes, do resto do Mundo. E foi por essa mesma razão que a revista não vingou. A mudança raramente é bem aceite, e uma sociedade muito presa aos costumes como era a sociedade portuguesa nunca iria aceitar a revolução cultural de bom grado. Assim se sucedeu. Os vários autores que inovaram tanto na revista foram vilipendiados pelas pessoas, gozados e achincalhados pelos críticos e intelectuais. Mas nenhuma dessas provocações reduziu a força de Orpheu. E um segundo número saiu. Então, quero deixar aqui a minha homenagem à revista Orpheu, esse furacão que abanou Portugal, esse terramoto que rompeu com os cânones das artes portuguesas. E homenagear os artistas que tornaram tal possível. Agradecer a Fernando Pessoa (e a Álvaro de Campos), a Mário de Sá-Carneiro, a Almada Negreiros, a Santa-Rita Pintor, a Amadeo de Souza-Cardoso e a outros tantos que contribuíram para a inovação com um pedaço da sua loucura. A esses génios.

E termino assim a minha homenagem àquele que foi, para mim, o movimento mais peculiar, irrepetível e inovador da história da literatura portuguesa. 

domingo, 29 de março de 2015

O dia em que a Madeira votou

37 anos de Jardim findaram hoje. 37 é muito tempo...

Não é sem interesse que observo atentamente os desenvolvimentos legislativos da Madeira. O PSD venceu as eleições, como estávamos todos à espera que acontecesse. O que é digno de nota é que estas foram as primeiras eleições regionais sem Alberto João Jardim. Após 37 anos ininterruptos no poder, a Madeira vê as sua primeiras eleições sem Jardim. Estes números têm muito que se lhes diga. Alberto João Jardim foi o político que mais tempo exerceu um cargo de chefia. Conseguiu ultrapassar Salazar em anos de governação (Salazar governou 36 anos). Sempre com maiorias absolutas, sempre o preferido do povo madeirense, Jardim é uma figura peculiar na história insular portuguesa. Bom, tendo acabado de fazer contas, deixo o meu voto de sucesso a Miguel Albuquerque. E, claro, expresso a minha sensação que Jardim tirou só uma folga. Ainda ouviremos falar de João Jardim num futuro próximo.

Tendo dito isto, concluo apenas assim: esperemos que não. Não é que não goste de Jardim, mas já são muitos anos a governar. Fazia bem em reformar-se e viver o resto da vida calminho e sem grandes exaltações. E deviam seguir-lhe o exemplo Cavaco Silva e Mário Soares. Também já é muitos anos a governarem. Mas isso é outra história... Resumindo e concluindo, gostava que esta minha esperança se realizasse. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Luís Miguel Rocha (!) (1976-2015)

Ainda não estou em mim.

É sempre uma notícia fúnebre saber que a um jovem com um futuro brilhante pela frente lhe é vedada essa estrada que poderia vir a percorrer. Luís Miguel Rocha faleceu hoje, apenas com 39 anos. É tristíssimo e tocou-me profundamente. Tive oportunidade de o conhecer numa das apresentações de um dos seus livros (A Filha do Papa) e tenho mesmo imensa pena que não possa continuar a brilhante carreira que vinha a construir. Deixo com a família e com os amigos do escritor os meus mais sinceros sentimentos. 

Nada é mais triste que cortar cedo uma flor que desabrocha.

terça-feira, 24 de março de 2015

Herberto Hélder (1930-2015)

A poesia perdeu uma das suas grandes vozes esta terça-feira.


Sabemos que chega um dia que teremos de partir. É a única certeza neste mundo. Mas será sempre triste a partida de alguém muito presado ou muito amado. Falo da partida de Herberto Hélder, visto como um dos poetas mais importantes da segunda metade do século XX português. Tem graça. Lamentar a morte de pessoas que faziam da sua vida a escrita deixa-me sem palavras para escrever. É uma sensação engraçada, estranha e triste. Mais nada posso escrever a não ser deixar os meus sentimentos com a família e os amigos de Herberto Hélder.

«E já nenhum poder destrói o poema.».

domingo, 15 de março de 2015

Petição para a demissão de Passos Coelho

Esta semana foi lançada uma petição para demitir Pedro Passos Coelho.

Agora que se tornou digno de nota, direi o que penso da Petição, que já recolhe 19 000 assinaturas, para demitir o primeiro-ministro. Penso que se trata de uma parvoíce saída da cabeça de quem não tinha nada de mais interessante para fazer. Sinceramente, faz algum sentido pedir a demissão do primeiro-ministro a cinco meses do final da legislatura? É gozar com a cara da liberdade de voto e de expressão política. Qual é o sentido desta petição agora? AGORA? Há dois anos, há ano e meio, aí faria sentido. Mas a cinco meses do final do mandato? Se queremos que o Governo se vá embora, é esperar pelas eleições, que já se avizinham, não é demiti-lo agora, a escassos meses do fim. O objetivo desta ação é apenas desestabilizar o quadro político português. Não tem outro objetivo. Melhorar a vida dos portugueses? Votar noutra pessoa nas próximas eleições. Será que ganha outro significado esta petição se for referido que foi um militante do BLOCO DE ESQUERDA a iniciá-la? Aqui está a justificação da existência da referida petição: uma afirmação partidária mesquinha. Nada mais. Não gosto da tua ideologia, vou quebrar o país para mostrar como não gosto. Não se faz. Haja decência nas cabeças das pessoas, será pedir muito?

Espero que a Assembleia não se ponha com ideias malucas e demita o governo. Haverá tempo para isso, em CINCO MESES.

sábado, 14 de março de 2015

3.1415... e Einstein

A data de hoje tem uma história engraçada ligada a si...

Todos conhecemos o eterno número pi: 3.1415... Bem, hoje, por uma coincidência engraçada, é o dia do pi. Não acredita em mim? Repare: março, 14, 2015= 3.14.15. Já percebeu? Génios ao longo da história têm tentado compreender o Universo com a matemática, e datas como esta talvez sejam a resposta, a prova de que isso será um dia possível. Entre esses génios encontra-se Albert Einstein e que, curiosamente, cumpre o seu aniversário neste dia, precisamente. As coincidências são tão interessantes. Trata-se de uma data que só se verifica a cada século, o que por si só torna-a digna de registo por minha parte. De resto, sinto que devo deixar aqui um voto de feliz aniversário (caso estivesse ainda vivo) a Albert Einstein, cuja mente maravilhou o mundo. 

Nada mais tenho a acrescentar. Bom fim-de-semana, caríssimos leitoras e leitores.