terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O CDS-PP sem o seu PP

Que maneira de acabar o ano! O Paulo Portas anunciar que não se vai recandidatar à liderança do CDS-PP após 16 anos à frente do partido. Portas é o líder do CDS desde que eu me lembro de ouvir falar de política na televisão. Começou como jornalista, mas depressa enveredou pelas malhas do jogo partidário, até chegar à liderança do partido em 1998. Desde então, Portas sempre foi aquele deputado cuja voz exaltada mais criticava a atuação dos governos socialistas. Recordo em específico uma altura em que Portas conseguiu mesmo com que Sócrates não conseguisse responder às acusações, por lhe faltarem palavras para tal (se não estou em erro, foi em inícios de 2010...). Enquanto candidato às eleições legislativas, a imagem mais marcante de Portas é o de "Paulinho das Feiras", o candidato das visitas às feiras e dos beijinhos às idosas. É o fim do seu ciclo político à frente do partido. Mas não é o fim da vida política de Portas. Ainda ouviremos falar muitas vezes o seu nome, não duvido. 
Politicamente, nunca fui adepto de Paulo Portas. No entanto, penso que, como político, Portas foi como nenhum outro. Soube sempre aproveitar as oportunidades que lhe caíam no colo, sabendo bem manipular os argumentos e os factos em seu favor. 

Agora deixa a liderança do partido, no próximo congresso do CDS-PP. Foram muitos anos. Dos líderes partidários que mais tempo esteve à frente do partido. Agora o CDS perde o seu PP. E um novo ciclo se inicia nesse partido. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A banca só estraga tudo

Esta semana recebemos uma prenda de Natal antecipada: mais uma vez vamos ver parte dos nossos vencimentos surripiados para ajudar mais um caso perdido. Mas há mais! Aparentemente, resgatar um banco é canja de galinha, mas garantir o regular funcionamento das coisas é demasiado trabalhoso. Um homem de 29 anos morreu na segunda feira porque precisava de ser operado de urgência, mas o hospital não tinha o pessoal disponível. Ou uma desculpa parecida. Este caso só comprova que caímos no ridículo. O Estado sempre viu na banca a sua prioridade. Pessoas? Essas morrem todos os dias, que se há de fazer? Agora, os bancos? Esses que não vêm mais nada à frente a não ser números e capital? Esses que arruinaram tudo, destruíram vidas e aniquilaram a economia mundial? Esses é que merecem ser ajudados pelo Estado. Realmente, é apenas e só lógico. Ajudar o banco dá dinheiro, ajudar as pessoas não. Naturalmente, ajuda-se os bancos. Mete nojo. Admito-me enojado com a classe política que nos olha de lá do topo da imunidade aparente. Mas eles não estão seguros. Basta algo rebentar, e a sua segurança cai por terra. Eu espero que não tenha de chegar a isso. Ainda confio nos jovens políticos. Os dinossauros podem morrer todos, não quero saber. Desde que os jovens façam diferente... que utopia... eu devia deixar de sonhar tanto. Os políticos jovens são formatados exatamente como as velharias. E isso enfurece-me de tal maneira. Por isso, confesso-me farto, mas impotente. Não tenho ilusões de conseguir mudar alguma coisa. Mas não perdi a esperança. Talvez seja a altura do ano a inspirar-me. Talvez seja um sonhador iludido. Que seja. Ao menos vivo com a esperança de haver felicidade, em vez de viver sem felicidade alguma. Os bancos podiam ir todos ao fundo, por mim. Mas deixar uma pessoa morrer desta maneira? Ridículo! 

E é tudo. Um feliz Natal a todos vocês desse lado!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O Natal deste ano

Numa das suas últimas intervenções, o papa Francisco disse algo que me deixou pensativo. E depois de refletir, decidi escrever o meu entendimento.

O papa disse no outro dia que este ano o Natal era uma fantochada, uma farsa. E disse isto a propósito de quê? Disse estas palavras polémicas (para a generalidade das pessoas, eu concordo plenamente) quanto ao entendimento que o ser humano tem do Natal. O Natal é uma época de paz, de amor e de entendimento entre as pessoas. Mas porque deve ser só durante o Natal? Porque não pode haver paz, amor e entendimento durante o ano inteiro? É a hipocrisia que caracteriza a sociedade moderna. E o papa atingiu na mouche o problema inteiro. O ser humano não pode, segundo ele, falar de paz e amor quando ainda não conseguiu compreender o alcance destes. Não podemos dizer que praticamos o bem quando só o fazemos uma vez por ano, durante uma semana. Estas palavras são realmente esclarecedoras, mas as pessoas continuam sem perceber. Preferiram fazer polémica à volta delas do que refletir no seu significado. E é a sociedade que temos. Infelizmente, não podemos escolher. Mas que podemos fazer. Se nem o papa consegue fazer as pessoas pensar um bocado, que podem pobres coitados como eu que tentam alertar as pessoas para estes factos, escrevendo. 

A sociedade precisa de ser mudada. Urgentemente. Este ano, o Natal é falso. A sua mensagem é oca. Quando pensarem em paz e amor, pensem neles mesmo, e não apenas nas palavras. Reflitam. Pode ser que assim mude alguma coisa. É o meu desejo. Portanto, boas festas para vocês.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sobre o primeiro de dezembro

Todos nós estamos familiarizados com a celebração do 1 de dezembro. Sabemos todos o que esta significa a nível histórico e o que esta tem de relevante para a história de Portugal. O 1 de dezembro simboliza a resistência histórica com a qual o povo português é conotado. A 1 de dezembro de 1640, realizou-se uma conspiração que vinha a ser planeada de antes para retomar o trono e restaurar a independência de Portugal. Convidado para ser rei foi João, duque de Bragança. Mas este inicialmente rejeitou a ideia. No entanto, a conspiração manteve-se viva e a retoma deu-se nessa data do último mês do calendário gregoriano. Invadiram o Paço da Ribeira e mataram o representante português da coroa espanhola, Miguel de Vasconcelos. Quando finalmente convencido da necessidade de ascender ao trono, João de Bragança assim o fez e tornou-se D. João IV, de cognome o Restaurador. E é esta a história factual. A história simbólica é outra. Foi, sobretudo, uma conspiração da nobreza, mas a revolta foi popular. Daqui se retira aquilo que, ao longo da história, nos tem chegado em maior quantidade ao presente: que o planeamento e a conspiração podem ser feitos por meia dúzia de indivíduos, mas sem o apoio popular, sem o suporte da maioria, de nada serve. Também se retira simbolicamente a força com que os portugueses são conotados. Ninguém, por mais que queira, consegue dominar a vontade lusitana de combater a opressão. O domínio espanhol cessou nesse dia. Espanha sempre batalhou Portugal, buscando o território deste. Mas, por alguma razão, Portugal ainda é Portugal. Esteve perto de deixar de o ser, mas a vontade dos portugueses triunfou. Triunfa sempre. Quase sempre. Algumas vezes...

A ilação mais importante a retirar daqui é, e citando o grande e eterno Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". E a alma lusitana não é pequena. A alma lusitana tem o tamanho do meio mundo que por sua vontade desvendou. 

sábado, 14 de novembro de 2015

Crónica em II partes

Parte II

Os ataques de Paris

É revoltante. O extremismo. De certas pessoas. Perdão, de certos seres estranhos. Para matarem. Outros. Semelhantes. A. ELES!

Quem não respeita os direitos humanos não deveria ser titular destes. Posso parecer muito radical, mas só assim é que aprendem. Não podemos continuar armados em humanistas hipócritas quando há por aí pessoas que quanto menos se reage, mais abusam. É como as crianças. Se não se souber dizer-lhes não, elas abusam. Porque estamos nós preocupados em não torturar alguém que nunca hesitou em torturar? Porque temos reticências em matar alguém que mataria num piscar de olhos sem arrependimento? Porque somos pessoas civilizadas e humanas. Está certo. Mas o protesto pacífico não é a melhor maneira de combater esta ameaça. Não se tenta conversar com um adversário que tem uma arma na mão e não tem os escrúpulos de a usar. De que vale pedir pela calma quando a resposta será levar um tiro? Detesto a política do olho por olho. Abomino mais o extremismo. Porque temos medo de um retrocesso minoritário nos direitos humanos quando isso nos pode levar finalmente à tão almejada paz? Sempre ouvi dizer que há males que vêm por bem. E se um mês de tortura e morte de extremistas nos levar a um milénio de paz? O que é melhor perder? Algumas vidas humanas que de humano nada têm ou um longo período de paz? 
Mas, depois penso, de que me vale colocar todas estas questões? O extremismo e o fanatismo são como a hidra, corta-se a cabeça, duas ocupam o seu lugar. Pouco me vale querer eliminar todos os extremistas quando irá com toda a certeza surgir outro. Mas quem não arrisca não petisca. Devemos atropelá-los como se não houvesse amanhã. Não falo de etnias nem de minorias, falo desses. Desses seres, que são os verdadeiros responsáveis. Ouvi pessoas a culpar os árabes ou os islâmicos pelos ataques. Não. Os culpados são essas amostras de seres sem pinga de humanidade, esses monstros nojentos que ousam chamar-se seres humanos. Os católicos não são culpados pelos erros da Igreja Católica. Os islâmicos não são culpados pelos erros dos jihadistas. Infelizmente, monstros há em todo o lado. Pouco importa a etnia, o grupo, a religião. No final das contas, são monstros e não passam disso. 
É difícil para muitos sentir esperança em tempos assim. Mas eu sinto. Chamem-me sonhador, aluado, crente, o que quiserem. Mas não deixo de ter esperança. Esta é a última a morrer.
Não esqueçamos o 13 de novembro de 2015. Não esqueçamos Paris. Sinto o coração despedaçado pelo que aconteceu. Sinto-me triste. Desiludido. Morte aos carniceiros! Justiça para os inocentes! Liberdae, Igualdade, Fraternidade! Nunca esqueçam os valores que fazem de nós humanos (continuo a achar que o respeito pela vida humana devia ser mudado para respeito pela vida humana inocente)! E castiguemos os traidores à espécie!

Crónica em II partes

Parte I

A liberdade de expressão

Acho muita piada àqueles que afirmam convictamente que não gostam que as pessoas partilhem as suas opiniões nas redes sociais porque as opiniões são isto, x pessoa é aquilo e y pessoa acoloutro. As pessoas que o fazem estão, obviamente, a fazer uso da liberdade de expressão a que têm direito. Às vezes pergunto-me se eles não pensarão por um bocado que o direito que eles têm de exprimir a sua opinião é igual ao direito que os outros têm de exprimir as suas opiniões. Não há diferença entre pessoa a ou pessoa b, apenas há o direito que ambos possuem de exprimir as suas opiniões. Há muitas opiniões estúpidas, ignorantes, burras, mil e um nomes podem ser usados para as descrever, mas não deixam de ser o que são: opiniões. Mas essa é uma questão diferente. Uma coisa é ser titular de um direito, outra é a forma como se usufrui desse direito. Muitas pessoas exprimem opiniões desinformadas e ignorantes, mas não perdem o direito de a exprimir por causa disso. É esse o conceito base da liberdade de expressão. Eu só lamento que as pessoas não tenham aprendido isso ainda. Tanto "Je suis Charlie" e 25 de abril isto e aquilo para se condenar uma pessoa por poder exprimir a sua opinião, por usufruir do direito em exprimi-la? Criticar a opinião de uma pessoa é uma coisa. Os debates não passam disso e, desde que seja construtivo, deve ser feito. Agora, que é o que vejo e do que me queixo, criticar as pessoas por partilharem as suas opiniões nas redes sociais? Meus amigos, andámos a brincar. Só o facto de criticar já é exprimir uma opinião numa rede social. Se os outros não têm direito a partilhar as suas opiniões, porque haveriam estes críticos de o ter? É tudo o que tenho a dizer.

"Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defendo até à morte o teu direito de as dizer"
Voltaire 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Para os abstencionistas do voto

"A abstenção é um ato de cobardia política"
Francisco Sá Carneiro

Reflitam bem estas palavras. Dedico-as a todos os que não fizerem o simples esforço de se levantarem dos sofás e irem votar. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Análise da política nacional (ou algo parecido...)

Como os leitores devem ter reparado, não tenho publicado no meu blogue por falta de tempo. 

Infelizmente, agora que arranjo tempo para escrever alguma coisa, o tema que se afigura é o da atual situação política em Portugal. O que é triste. Eu sei, eu sei. Sou manifestamente da Direita, sou militante do PSD, mas antes que venham os argumentos todos, devo dizer simplesmente que eu não sou de fanatismo (como o deixei bem expresso em muitas crónicas). Eu era até defensor do voto em branco, antes de me aperceber do perigo que espreitava. Esse perigo chama-se António Costa. Mais precisamente, a sua sede por poder. Os portugueses votaram, está certo. As legislativas deram maioria à Esquerda, também é verdade. Mas não foi a Esquerda que os portugueses elegeram para formar governo. No entanto, vivemos na iminência de um governo de Esquerda ser formado. A minha questão é muito simples, caríssimos leitores: será correto? Constitucionalmente, nada de errado se passou, processou-se tudo dentro da normalidade constitucional. Agora, desrespeitar a decisão dos portugueses que foram às urnas votar num governo de Direita é que me está a fazer um pouco de confusão. Eu nem estou a falar de sentir pena do meu partido (um passo atrás podem por vezes significar dois em frente), estou antes a falar de sentir pena da percentagem maioritária de portugueses que escolheu um governo de Direita e irá ver a sua decisão frustrada pela fome por poder de alguns. Mas é assim a política. Talvez este circo fosse evitado se os 43% de preguiçosos (não têm outro nome) tivessem perdido 5 minutos do seu tempo e ido votar. 

O que eu tenho a dizer é o seguinte: desenrole-se a situação, que eu apenas quero observar. Quero assistir à queda de António Costa (quanto mais alto se ambiciona, maior é a possibilidade da queda), é algo que agoiro como inevitável. Quero assistir aos portugueses constatarem que tomaram a decisão errada. E quero, gostaria mesmo, que, de uma vez por todas, retiremos as devidas ilações desta situação para a evitar no futuro. Apenas quero assistir. E mais nada tenho a dizer. Boa noite e até a uma próxima.

domingo, 4 de outubro de 2015

Eleições legislativas 2015

Hoje foi o dia em que votei pela primeira vez. Exerci o direito que foi conquistado pelas gerações antes de mim, em consciência e placidamente. 

Falando agora das eleições em si, sempre ouvi dizer que não se devem deitar os foguetes antes da vitória. E esta advertência não é só para a coligação Portugal à Frente, é dirigida a todos os partidos que participaram nestas eleições. Os números destas eleições são números um pouco alarmantes, logo a começar pelo nível de abstenção, que atingiu já proporções preocupantes. O direito de voto é um direito pelo qual imensas gerações antes de nós batalharam. No entanto, quase metade das pessoas não vota. Não se consegue compreender. Abster não é contrariar, é concordar. Contrariar é ir votar na diferença, ou ir protestar aos boletins de voto (voto em branco, portugueses, voto em branco!). Em segundo lugar, os números não chegam para fazer maiorias, nem estáveis nem absolutas. Andamos a brincar? O país precisa de estabilidade, mas ao invés de a ter, tem ainda que atravessar dias de ansiedade enquanto aguarda a decisão final: quem irá governar o país. A minha esperança é que o Presidente da República dê um último fôlego de vitalidade e facilite as coisas. A minha esperança é que os partidos não se ponham com rivalidades mesquinhas e ponham o bem-estar do país à frente das suas ideologias. Facilitem o trabalho aos portugueses e a Portugal, por favor. Detesto climas de incerteza, e incerteza política abomino-a completamente. Mas estes próximos dias serão assim: incertos. Para finalizar, queria deixar um V de vitória ao PSD e ao CDS-PP, que terminaram juntos o mandato anterior (inédito na democracia portuguesa) e preparam-se para iniciar o segundo (também inédito). Gostaria de deixar uma saudação a todos os partidos, e os seus respetivos candidatos, que conseguiram eleger deputados para o Parlamento. Quanto aos que não elegeram nenhum, gostaria de deixar um grande "é bem-feita" (especialmente para o Marinho e Pinto) e uma saudação aos restantes pelas suas tentativas de apresentar alternativas fiáveis. Mas o povo decidiu. 

Sabemos o caminho que tomámos. O povo português, ao contrário do que nos possam tentar convencer, não é, e perdoem-me o uso da expressão, burro nenhum. Pelo contrário, tomou a melhor decisão que podia tomar. Devemos continuar com o crescimento gradual e estável, não podíamos meter-nos em aventuras perigosas, nem deixar-nos ludibriar por promessas ocas e fáceis. Penso já ter dito tudo. Portanto, atentemos a estes dias. Estamos a assistir à História a acontecer. E esperemos pelo melhor desenlace. Viva Portugal!

domingo, 13 de setembro de 2015

O princípio do fim?

Ainda a semana não começou e a Alemanha já deu um passo atrás na evolução da construção europeia.

É com preocupação que observo a Alemanha a suspender o Tratado de Schengen e a fechar as suas fronteiras. Sem dúvida, outros a seguirão. E incitados pelos anti-europeístas e pelos detratores do espaço Schengen. Compreendo, obviamente, a necessidade que um país como a Alemanha sentiu em fechar as suas fronteiras (caramba, os refugiados chegam a fazer birras só para poderem ir para a Alemanha), mas mais argumentos contra encontro. Por exemplo, suspender o Tratado de Schengen e fechar as fronteiras é um retrocesso na evolução de uma Europa unida. Embora cético, alimento a esperança de um dia ver uma Europa unida e com os seus objetivos alinhados para o mesmo fim. Este acontecimento torna esse dia ainda mais distante. A crise dos refugiados já se torna insustentável para a Europa, que se viu de repente obrigada a aceitar os refugiados sírios, embora existam por aí países árabes ricos e hipócritas, que deveriam aceitar os seus irmãos ideológicos (falo, obviamente, da aproximação cultural e religiosa dos muçulmanos) com maior sentido de obrigatoriedade que uma Europa vulnerável e cristã (portanto, divergente ideologicamente). Preocupa-me sinceramente toda esta situação que se vem a assistir nos últimos dias. 

E é com extrema preocupação que termino este texto. Não sei mais em que pensar. Quando me surge um argumento a favor, surge-me um argumento contra e ando neste impasse comigo mesmo quanto a toda esta situação. É um problema sem solução imediata.

domingo, 30 de agosto de 2015

Oliver Sacks (1933-2015)

"Não vai haver ninguém igual a nós quando partirmos, assim como não há ninguém igual a nenhuma outra pessoa."
Após meses de sofrimento devido a cancro, partiu o neurocirurgião e escritor Oliver Sacks. Aos seus familiares e amigos deixo as minhas condolências. O mundo perdeu com a sua partida.

"Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante nesse planeta maravilhoso e isso, por si só, tem sido um enorme privilégio e aventura."

sábado, 22 de agosto de 2015

A demissão de Tsipras e a hipocrisia de Varoufakis

Esta semana fomos surpreendidos pelo anúncio da demissão de Tsipras.

Alexis Tsipras demitiu-se e convocou eleições antecipadas. A minha visão é a seguinte: revela responsabilidade o que Tsipras fez no sentido em que percebe o que é melhor para o povo grego. Tal como Sócrates se demitiu à quatro anos para deixar a casa a arder nas mãos de outros mais competentes (digam o que disserem, não deixa de ser verdade), também Tsipras o fez. Até aqui, tudo bem. A questão que me leva a escrever: Varoufakis revelou finalmente aquilo que ele é - um hipócrita. Ele criticou o governo de Tsipras, disse que o povo grego foi traído pelo governo de Tsipras. Que legitimidade tem ele, que pertenceu a esse governo, de dizer tais palavras? Se o governo de Tsipras traiu o povo grego, também ele o fez. Quer queira, quer não, fez parte desse governo e contribuiu para a suposta traição. Estamos a brincar? É assim? Um homem que fez birra contra uma dívida que, digam os comunistas o que disserem, completamente legal e legítima critica a sua própria atuação como se não fosse nada com ele? O povo grego é que escolheu, no fundo, tudo aquilo que se passou. Decidiram brincar com coisas sérias e o resultado está à vista: um governo brevíssimo que cairá em breve. Espero que o povo grego tenha aprendido a lição. Espero mesmo que agora as coisas comecem a correr melhor. Pelo bem da Grécia.

E foi tudo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sobre Manuela Ferreira Leite

Exatamente. Foi António Costa (não só, mas vá...) que me levou a falar de Manuela Ferreira Leite. Estranho...
Nunca percebi o porquê de as pessoas não gostarem da Manuela Ferreira Leite. Nunca consegui perceber. Ela não deu nas vistas antes de ser presidente do PSD e não deu nas vistas depois de o ser. Quando se lembram os meios de comunicação, lá vão falando de situações e isso. Mas a razão que me leva a escrever: porque será que as pessoas odeiam tanto alguém que apenas disse a verdade? Quando Ferreira Leite disse que o país ia a caminho do abismo, ninguém deu ouvidos. O que aconteceu? O país caiu no abismo. Quando Ferreira Leite chamou a atenção para as incongruências económicas de Sócrates, ninguém quis saber. O que se verificou? Contas inconsistentes e números ocultos. E ela nunca se armou em espertinha e disse: "eu bem avisei". Por estas e outras, Manuela Ferreira Leite preenche os requisitos que o povo acha que devem preencher os políticos a sério. Então porque será que a odeiam tanto? Leio os comentários sobre ela nas redes sociais e espanto-me com a quantidade de pessoas que não gosta dela, quando ela tem tudo para que as pessoas gostem dela. É complicado. É um daqueles paradoxos aos quais nunca se responderá. 

Claro que deixo uma nota sobre a sua menção mais recente. Acho muito bem que Costa pondere que Manuela Ferreira Leite faça parte de um governo. A única diferença é que devia ser ela como primeiro-ministro e Costa como ministro.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

"Eu sou a vítima"

Adivinhou. Irei mais uma vez escrever sobre José Sócrates, o pobre coitado que está a ser castigado pelos erros que cometeu, imagine-se uma barbaridade dessas!

Vejo assim: o PS já se encontra à frente um ou dois pontos percentuais à frente da coligação, portanto, isso a mim soa-me a vitória (claro que chamar vitória a um governo de minoria é relativo). Não, meu caro ex-primeiro-ministro/presidiário, não é por estar preso que o PS possa não ganha as eleições. É por ter Costa a concorrer ao cargo, é por ultimamente só meter os pés pelas mãos, é... Penso que não preciso de continuar. O PS, graças a deus, já o ultrapassou há muito tempo. Não está dependente dele para ganhar ou perder. Está dependente da sua aptidão e da sua capacidade (com Costa a conduzir, é pouca, no entanto...). Sócrates continua com a ideia de que ele é o centro da vida política portuguesa, quando agora não passa de mais um caso (bem sucedido, por sinal) de direito penal. Continua a fazer-se de vítima quando todos os portugueses (vá, todos os portugueses que não andaram a dormir estes últimos dez anos) sabem bem, não só como foi ele preso, mas também porquê. Tudo bem que pode ter razão em dizer que não devia estar preso preventivamente tanto tempo, mas merece. Merece tudo o que passar nos últimos tempos, todo o desconforto que sentir nos próximos tempos. Digam o que disserem, merece. Não sofre em vão quem não faz sofrer. 

E acabei de dizer o que tinha a dizer. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Alternativa de confiança

Todos estamos a par das polémicas que têm causado os cartazes de campanha do PS, certo?

A minha análise é a seguinte: eu não confiaria o governo de um país a uma "alternativa" que desde o início da campanha eleitoral tem metido os pés pelas mãos inúmeras vezes. Mas isso sou eu. Ora vejamos. Primeiro, António Costa apresenta-se como alternativa de confiança. Erro. Alternativa é prometer algo diferente, não é retroceder ao estado anterior ao atual. Segundo, temos o cartaz onde uma senhora conta a sua situação de desempregada, os números apresentados remetendo para o período Sócrates. Gaffe? Ou deslize para a verdade? Terceiro, agora surge-nos a notícia de que uma dos figurantes dos cartazes não é desempregada. É funcionária de Câmara e não autorizou o PS a utilizar a sua fotografia (o que não parece ter impedido o referido). Há inúmeros ângulos pelos quais analisar António Costa, a alternativa fiável de regresso a 2010, o homem que só fez bem pela Câmara de Lisboa, mesmo sabendo nós que não é bem assim e pergunte-se a qualquer lisboeta para confirmar, o homem idolatrado que chegou a candidato legislativa através de um reles golpe baixo, apunhalando pelas costas aquele que lutou verdadeiramente pela regeneração da imagem do Partido Socialista. Eu podia continuar, mas penso ter esclarecido o meu ponto de vista. 

Não, não voto em António Costa. Atenção, eu disse Costa, não PS. Eu votaria no PS se este apresentasse um candidato melhor que a Coligação. Mas falha redondamente nesse aspeto. Do mal o menos. Prefiro o atual executivo, que  apesar dos seus inúmeros pecados, sei que se manterão mais ou menos dentro da mesma linha. Costa dará o retrocesso à era Sócrates, ao populismo eleitoral. Se votaria em branco? Sem dúvida, se não houvesse o risco de Costa ganhar as eleições. Não gostaria de saber que Costa chegou a primeiro-ministro porque eu não votei em nenhum. Mais uma vez declaro que o povo ignora o seu real poder. O voto em branco é verdadeiro poder democrático. Já falei deste, voltarei a falar deste. Agora não, que o espaço é curto. Termino assim esta crónica. 

sábado, 25 de julho de 2015

A detenção do DDT

Esta semana aconteceu o inesperado: Ricardo Salgado pode vir mesmo a pagar pelo que fez.

Tudo bem que ficar em casa sem poder sair não é necessariamente uma punição, mas é um começo. Importante é o facto de Ricardo Salgado ter sido constituído mais uma vez como arguido e enfrentar a possibilidade de ser punido pelos seus males. Esperávamos que fosse apenas o político a ser responsabilizado. A banca tem a sua quota-parte de culpa no estado a que o país chegou. E o Dono Disto Tudo mais culpa tem. Se um homem que obtém tanta influência e poder e nada faz para melhorar a sociedade e o sistema, é tão culpado como aqueles que desejam o falhanço do sistema. Ricardo Salgado esqueceu-se de uma sabedoria muito maior que aquela que as contas apresentam, uma sabedoria muito mais humana: a popular. Diz o ditado, "quanto mais alto se sobe, maior é a queda". Estes últimos meses temos assistido a isso mesmo. E esperemos que isto não sejam acontecimentos pontuais. Esperemos que esteja a começar a limpeza do sistema de toda a corja que o infetou. Tenhamos esperança, que essa, é a última a morrer.

E foi assim que mais um intocável aprendeu finalmente que ninguém escapa à justiça. "A Justiça tarda mas não falha", diz o ditado popular. E tem razão. Terá sempre razão.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Maria Barroso (1925-2015)

Vim apenas deixar que senti com tristeza o falecimento da antiga primeira-dama. Nada mais vim dizer. Nada mais precisa de ser dito. Os meus sentimentos estão com os familiares e os amigos. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Eusébio no Panteão... ok, e coisas importantes?

Sobre a (não tão grande) importância da transladação de Eusébio para o Panteão Nacional.

Antes que seja acusado de anti-benfiquismo, devo declarar-me completamente nas tintas para o futebol e os seus subsequentes clubismos. Agora que o anunciei, a razão porque escrevo: o Eusébio ser transladado para o Panteão Nacional não é uma notícia importante. É simplesmente uma notícia. A televisão devia ter simplesmente anunciado que o corpo do Eusébio iria ser transladado para o Panteão, mais nada. Agora, reportagens especiais, acompanhamento 24 horas... É demais, peço desculpa, mas para mim, é desnecessário cobrir tanto este acontecimento. Existem centenas de notícias mais problemáticas que merecem a nossa atenção neste momento. E Eusébio, embora tenha sido uma das grandes figuras que representou Portugal durante o século XX, não é, na minha opinião, o Grande Herói que merece acima dos outros um lugar no Panteão. Exemplifico: Passos Manuel, uma das figuras mais importantes do ensino, da política e mentor original da criação de um Panteão Nacional português ainda não se encontra lá. Não foi transladado na altura devido a restrições orçamentais (por isso é que digo que Eusébio não é assim tão importante. Foi logo transladado, sem olhar a orçamentos, e uma figura como Passos Manuel ainda aguarda a transladação). Mas tenho mais exemplos. Marcos Portugal, compositor famoso na Europa dos séculos XVIII-XIX, não foi transladado quando foi pedido, Fontes Pereira de Melo não se encontra lá... nem o próprio Marquês de Pombal se encontra no Panteão... Enfim, o ponto a que quero tentar chegar é que o Eusébio, de facto, merece ser transladado para lá, mas à frente dele figuras mais fulcrais para a nossa história merecessem sê-lo primeiro. Nada tenho contra Eusébio, mas acho que não é tão ou mais importante que Passos Manuel ou Fontes Pereira de Melo...

E era só isto que tinha a dizer. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vai bonita a brincadeira...

Vai bonita a brincadeira...

Na Grécia
Na Grécia vivem-se momentos terríveis, alarmantes, chocantes, todos os verbos relacionados. A situação está a descontrolar-se. O SYRIZA quis manter a sua posição e, entretanto, reparar a situação na Grécia. O problema é que se devem fazer cedências. E o governo grego não as quer fazer. Devem, milhões, já receberam perdões, mas ainda não é o suficiente para poderem desembolsar dinheiro sem empobrecer a população. No entanto, não podem sair do euro sem que o país mergulhe no caos. Estão entre a espada e a parede, encurralados como peixes fora da água. Não faço previsões sobre o que se irá desenrolar. Não ofereço soluções impossíveis. Não tenho mais nada a dizer. Digo apenas que espero que a solução seja a melhor, mais para a Grécia que para a banca (essa podia começar a indemnizar-nos pelas asneiras que cometeu).

Com o Estado Islâmico
Não sou pessoa de ódios fortes. Mas se há cabeças de vento inúteis que odeio, há: o nome deles é fanáticos religiosos. Sinto por eles uma repulsa visceral, repugno todo e qualquer "ser humano" que mate outro em nome de uma entidade imaginária (ai, chocante o que eu disse, uma heresia!). É nesse aspeto que os inimputáveis do Estado Islâmico me metem nojo, mais do que o costume. Não consigo compreender o porquê de imporem a sua religião e a sua ideologia sobre os outros. Às vezes, desejava que com um estalar de dedos, todos esses "seres humanos" morressem, mas morressem depois de sentir na pele todas as atrocidades que causaram. Nunca penssei ficar irritado ao ponto de desejar isto a alguém. 

Com Sócrates
Nota menos pesada que os anteriores. Este homem só inventa. É um preso político. Seria, se não estivesse envolvido até ao pescoço em corrupções e mais corrupções. Está preso para que o PS não ganhe as eleições. Está bem, está. O PS já mostrou que não precisa de sanguessugas como ele para sobreviver. É uma pena que o homem que queria fazer a diferença tenha sido afastado pelo sequaz de Sócrates, António Costa. O PS pode existir sem ti, Sócrates. Aguarda e vê. Se o PS não vencer as eleições, a culpa será da inépcia e incompetência de Costa, não da tua detenção.

Assim termino. Ufa, que desabafo! Peço desculpa pela crónica longa, mas já não escrevia há algum tempo. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sir Christopher Lee (1922-2015)

Sabemos que o dia chega. Mas não deixa de ser entristecedor a partida de alguém.

Entristecedor mesmo é a notícia do falecimento do decano dos atores, Sir Christopher Lee. É com tristeza que vemos o versátil e brilhante ator, cantor e escritor británico partir. Dos seus imensos papéis, dos seus inúmeros sucessos, fica-nos a memória de um dos melhores atores de sempre. Aos seus familiares e amigos deixo os meus profundos sentimentos. Os seus vilões para sempre me ficarão na memória. Drácula, Scaramanga, Count Dooku, Saruman. E muitos outros.

Adeus, Sir Christopher Lee. Obrigado por tudo o que nos deste. Obrigado.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Bonne voyage, Joseph Blatter

Pouco falo de futebol. Pouco entendo de futebol. Mas desta vez tinha de falar.

Hoje é um dia histórico para a FIFA. O líder corrupto, com a mania de que é engraçadinho e sinceramente decrépito (a sério, ninguém devia liderar enquanto cai aos bocados - só uma dica, Cavaco Silva -) renunciou ao seu cargo. Agora o lugar encontra-se vacante e deverá ser preenchido por alguém mais jovem, mais capaz e menos corrupto (quanto a este último ponto, a ver vamos...). Mas são dias de esperança para todos os fãs de futebol. Com mil diabos, até para mim, um ateu futebolístico, e um inculto no assunto, é um dia de esperança. Esperança por um líder que seja, bem, um líder. Alguém que regenere a imagem que o Mundo tem da FIFA (corrupta, corrupta, corrupta). Alguém que nos faça acreditar que os altos cargos e os altos organismos não servem só para ganhar dinheiro e corromper tudo e todos. Alguém que não se chame Joseph Blatter. Alguém que não tenha feito negócios com Joseph Blatter. Alguém... bem, já acabei, já perceberam a ideia. Já agora, Figo, podias ocupar o lugar deste trapaceiro, a ver se se faz alguma coisa de jeito nesta organização. Tenta é evitar os pequenos-almoços com acusados de corrupção. Tu sabes bem do que estou a falar. Não digo mais nada.

Agora, usando (e inédito neste blogue) um hashtag que já vi por essas redes sociais fora: #BlatterLateThanNever. Obrigado. Só mais uma coisa: eu desejei uma boa viagem ao Joseph Blatter. É só puramente estético. O meu sentimento é que ele vá de vela de vez. E que nunca mais volte. Agora sim, obrigado por me aturarem.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia da Criança

Dedicada ao melhor do Mundo: as crianças.

Disse Pitágoras certa vez: "educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos". Um dito com muita razão. Infelizmente, não aprendemos ainda com a sabedoria milenar. Cometemos os mesmos erros de educação que cometíamos na altura em que Pitágoras proferiu estas palavras. Ainda nos dias de hoje se vêm muitos pais a "educarem" as suas crianças no facilitismo, no desenrascanço e no "coitadinho, é só uma criança". Pais que não dão uma merecida palmada nos seus filhos porque "é feio bater nos miúdos". Outros não querem saber dos seus filhos, ou então "não estão preparados". Ou ainda, a melhor de todas, "não têm paciência". Há pessoas que já se esqueceram do que é ser criança, esperam que as crianças nasçam ensinadas e aí reside a falha da educação das crianças. Não existem pais perfeitos, mas existem bons pais. Porque não servem esses de exemplo aos outros. Eu acho que os pais deveriam ser preparados antes de o serem realmente. Uma espécie de curso de paternidade. 

E é isto. Parabéns às crianças. Hoje é o vosso dia.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

B. B. King (1925-2015)

Mais um colosso da música que parte.

É com pesar que desaparece mais um gigante. É triste perder tamanho colosso da música, mas o nosso tempo chega, e quando assim é, nada se pode fazer. Apenas devemos concentrar-nos em dar o nosso melhor. E foi o que B. B. King fez. Partilhou connosco a sua aptidão e o seu talento para a guitarra. E graças a deus que assim foi. Deixo com os familiares e amigos os meus sentimentos pela perda deste enorme guitarrista.

Nada mais tenho a acrescentar. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Günter Grass (1927-2015)

Há uma altura na vida em que dizemos adeus, o adeus final. 

Mas quando dizemos adeus a um talento que tanto mais tinha para dar, então aí é um momento triste. Este mês já dissemos adeus a talentos extraordinários, e agora dizemos adeus a mais um. Dizemos adeus ao Nobel da literatura de 1999, Günter Grass. Mas mais palavras são apenas palha. Deixo os meus sentimentos com os familiares e amigos do escritor. 

Adeus, Günter Grass. O teu talento deixou-nos cedo demais.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Manoel de Oliveira (1908-2015)

Sem palavras.

É sem palavras que me afirmo. Portugal perdeu hoje um dos seus mais antigos cidadãos. É um talento que se perde, um grande monumento da História de Portugal. Mais nada posso dizer a não ser que deixo os meus sentimentos com os familiares e os amigos.

Não falei muito. Mas neste caso não há palavras suficientes. É uma perda triste para Portugal. É um pedaço de história que parte deste mundo. Sentiremos sua falta.

segunda-feira, 30 de março de 2015

100 anos da revista Orpheu

Fez na passada terça-feira, dia 24, um século da publicação da Revista Orpheu.

Orpheu é ainda hoje um fenómeno único na literatura portuguesa. Único no sentido em que muita gente tenta ainda perceber o que foi realmente. Tratou-se de algo tão peculiar nas letras portuguesas. Pela primeira vez, a literatura portuguesa encontrava-se em sincronia com a literatura estrangeira. Pela primeira vez, Portugal acompanhava o progresso, nas artes, do resto do Mundo. E foi por essa mesma razão que a revista não vingou. A mudança raramente é bem aceite, e uma sociedade muito presa aos costumes como era a sociedade portuguesa nunca iria aceitar a revolução cultural de bom grado. Assim se sucedeu. Os vários autores que inovaram tanto na revista foram vilipendiados pelas pessoas, gozados e achincalhados pelos críticos e intelectuais. Mas nenhuma dessas provocações reduziu a força de Orpheu. E um segundo número saiu. Então, quero deixar aqui a minha homenagem à revista Orpheu, esse furacão que abanou Portugal, esse terramoto que rompeu com os cânones das artes portuguesas. E homenagear os artistas que tornaram tal possível. Agradecer a Fernando Pessoa (e a Álvaro de Campos), a Mário de Sá-Carneiro, a Almada Negreiros, a Santa-Rita Pintor, a Amadeo de Souza-Cardoso e a outros tantos que contribuíram para a inovação com um pedaço da sua loucura. A esses génios.

E termino assim a minha homenagem àquele que foi, para mim, o movimento mais peculiar, irrepetível e inovador da história da literatura portuguesa. 

domingo, 29 de março de 2015

O dia em que a Madeira votou

37 anos de Jardim findaram hoje. 37 é muito tempo...

Não é sem interesse que observo atentamente os desenvolvimentos legislativos da Madeira. O PSD venceu as eleições, como estávamos todos à espera que acontecesse. O que é digno de nota é que estas foram as primeiras eleições regionais sem Alberto João Jardim. Após 37 anos ininterruptos no poder, a Madeira vê as sua primeiras eleições sem Jardim. Estes números têm muito que se lhes diga. Alberto João Jardim foi o político que mais tempo exerceu um cargo de chefia. Conseguiu ultrapassar Salazar em anos de governação (Salazar governou 36 anos). Sempre com maiorias absolutas, sempre o preferido do povo madeirense, Jardim é uma figura peculiar na história insular portuguesa. Bom, tendo acabado de fazer contas, deixo o meu voto de sucesso a Miguel Albuquerque. E, claro, expresso a minha sensação que Jardim tirou só uma folga. Ainda ouviremos falar de João Jardim num futuro próximo.

Tendo dito isto, concluo apenas assim: esperemos que não. Não é que não goste de Jardim, mas já são muitos anos a governar. Fazia bem em reformar-se e viver o resto da vida calminho e sem grandes exaltações. E deviam seguir-lhe o exemplo Cavaco Silva e Mário Soares. Também já é muitos anos a governarem. Mas isso é outra história... Resumindo e concluindo, gostava que esta minha esperança se realizasse. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Luís Miguel Rocha (!) (1976-2015)

Ainda não estou em mim.

É sempre uma notícia fúnebre saber que a um jovem com um futuro brilhante pela frente lhe é vedada essa estrada que poderia vir a percorrer. Luís Miguel Rocha faleceu hoje, apenas com 39 anos. É tristíssimo e tocou-me profundamente. Tive oportunidade de o conhecer numa das apresentações de um dos seus livros (A Filha do Papa) e tenho mesmo imensa pena que não possa continuar a brilhante carreira que vinha a construir. Deixo com a família e com os amigos do escritor os meus mais sinceros sentimentos. 

Nada é mais triste que cortar cedo uma flor que desabrocha.

terça-feira, 24 de março de 2015

Herberto Hélder (1930-2015)

A poesia perdeu uma das suas grandes vozes esta terça-feira.


Sabemos que chega um dia que teremos de partir. É a única certeza neste mundo. Mas será sempre triste a partida de alguém muito presado ou muito amado. Falo da partida de Herberto Hélder, visto como um dos poetas mais importantes da segunda metade do século XX português. Tem graça. Lamentar a morte de pessoas que faziam da sua vida a escrita deixa-me sem palavras para escrever. É uma sensação engraçada, estranha e triste. Mais nada posso escrever a não ser deixar os meus sentimentos com a família e os amigos de Herberto Hélder.

«E já nenhum poder destrói o poema.».

domingo, 15 de março de 2015

Petição para a demissão de Passos Coelho

Esta semana foi lançada uma petição para demitir Pedro Passos Coelho.

Agora que se tornou digno de nota, direi o que penso da Petição, que já recolhe 19 000 assinaturas, para demitir o primeiro-ministro. Penso que se trata de uma parvoíce saída da cabeça de quem não tinha nada de mais interessante para fazer. Sinceramente, faz algum sentido pedir a demissão do primeiro-ministro a cinco meses do final da legislatura? É gozar com a cara da liberdade de voto e de expressão política. Qual é o sentido desta petição agora? AGORA? Há dois anos, há ano e meio, aí faria sentido. Mas a cinco meses do final do mandato? Se queremos que o Governo se vá embora, é esperar pelas eleições, que já se avizinham, não é demiti-lo agora, a escassos meses do fim. O objetivo desta ação é apenas desestabilizar o quadro político português. Não tem outro objetivo. Melhorar a vida dos portugueses? Votar noutra pessoa nas próximas eleições. Será que ganha outro significado esta petição se for referido que foi um militante do BLOCO DE ESQUERDA a iniciá-la? Aqui está a justificação da existência da referida petição: uma afirmação partidária mesquinha. Nada mais. Não gosto da tua ideologia, vou quebrar o país para mostrar como não gosto. Não se faz. Haja decência nas cabeças das pessoas, será pedir muito?

Espero que a Assembleia não se ponha com ideias malucas e demita o governo. Haverá tempo para isso, em CINCO MESES.

sábado, 14 de março de 2015

3.1415... e Einstein

A data de hoje tem uma história engraçada ligada a si...

Todos conhecemos o eterno número pi: 3.1415... Bem, hoje, por uma coincidência engraçada, é o dia do pi. Não acredita em mim? Repare: março, 14, 2015= 3.14.15. Já percebeu? Génios ao longo da história têm tentado compreender o Universo com a matemática, e datas como esta talvez sejam a resposta, a prova de que isso será um dia possível. Entre esses génios encontra-se Albert Einstein e que, curiosamente, cumpre o seu aniversário neste dia, precisamente. As coincidências são tão interessantes. Trata-se de uma data que só se verifica a cada século, o que por si só torna-a digna de registo por minha parte. De resto, sinto que devo deixar aqui um voto de feliz aniversário (caso estivesse ainda vivo) a Albert Einstein, cuja mente maravilhou o mundo. 

Nada mais tenho a acrescentar. Bom fim-de-semana, caríssimos leitoras e leitores.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Leonard Nimoy (1931-2015)

É uma notícia triste para os fãs de ficção científica.

Partiu aos 83 anos Leonard Nimoy, talvez um dos atores mais famosos da ficção científica. É triste a sua partida. Muitos fãs do fabuloso Mr. Spock de "Star Trek" ficarão para sempre com uma lágrima pendente no canto do olho. Nada mais tenho a dizer. Os meus sentimentos estão com os familiares e os amigos do ator.

«The needs of the many outweight the needs of the few» 

O discurso de António Costa

Um discurso, duas mensagens, a mesma hipocrisia.

Eu digo-o já, não gosto de hipocrisia. É uma falha humana que me incomoda. E quando se verifica essa falha naquele que quer vender a imagem de próximo líder dos portugueses, então aí devemos refletir no nosso futuro. Passou-se esta semana. António Costa tem feito do seu discurso o típico do discurso político de oposição. O tradicional «está tudo mal», «desde que o governo exerce funções, tudo piorou», «por causa do governo, portugueses pobres, dívida», o costume. Mas, por outro lado, temos um António Costa a afirmar que o país melhorou, estão agora certos aspeto melhores do que há alguns anos. Ao ouvir isto, uma pessoa até pode pensar «Pá, talvez tenha aberto os olhos finalmente». Mas não. Estas declarações proferiu-as Costa a uma audiência de chineses. Mas, esperem um momento. A falar aos portugueses está tudo pior que há quatro anos atrás, mas a falar aos chineses, melhorou tudo. Está tudo bem, então. Se o próprio líder da oposição admite que tudo está melhor, então já não precisamos de uma alternativa, não é? Por favor, senhor António Costa, fica tão mal a hipocrisia a um  político que pretende vencer as eleições, que pretende governar um país. Porque o fez? Porque razão se contrariou a si próprio, só para passar uma boa imagem aos chineses? 

E é isto. Chegámos à conclusão de que precisamos de políticos sérios, para variar. Não votaria nunca em António Costa, enquanto social-democrata e enquanto apolítico. Enquanto socialista, depois de esta gota de água, não votaria nele. Eu gostava que as pessoas, os eleitores parassem e pensassem nisto. Mas não passa disso, receio: uma esperança...

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A campanha contra a fome de Ibrahimovic

A campanha de Zlatan Ibrahimovic contra a fome regenerou a imagem que eu tinha do jogador.

Eu já falei de Zlatan Ibrahimovic neste blogue, e não de uma maneira muito simpática, mas na altura ele estava a merecer ouvir tal. Agora o que me traz a falar dele regenera a imagem que eu tinha dele. Ibrahimovic tatuou nomes pelo corpo inteiro, nomes de pessoas comuns, pessoas como eu e o leitor desse lado, numa campanha contra a fome no mundo. É algo contra o qual vale a pena lutar, algo que é imperativo erradicar e o jogador fala, nessa campanha, das principais vítimas da fome, daquelas que não a deviam estar a sentir, as crianças. Foi uma campanha nobre, não fui apresentado a este jogador da melhor maneira, mas a sua imagem foi hoje regenerada, para mim. Apoio o que ele está a fazer, apoio a causa que defende. 

É uma causa nobre, lutar contra a fome, ajudar as vítimas desta. Devíamos todos contribuir no sentido de erradicar a fome, de uma vez por todas. Podem dizer que é uma utopia, mas não é. O ser humano precisa é de se aperceber da verdadeira realidade, abrir os olhos e descobrir o que é essencial e o que não é.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A vitória do SYRIZA

É com atenção que devemos assistir ao desenlace desta vitória.

O que acontece quando se esgotam as opções do costume, os velhos partidos opressores de novas vozes e de alternativas viáveis? Vota-se nos extremos. Foi o que se verificou hoje na Grécia. Venceu o novo partido de extrema-esquerda, o SYRIZA, porque o povo grego já se cansou. Cansou-se dos partidos da velha guarda, cansou-se dos mesmos dinossauros do costume a meter o nariz na administração do país, cansou-se de sofrer por uma Europa que nunca lhes deu nada em troca. Mas a vitória do SYRIZA é perigosa. Podemos estar a assistir aos primeiros passos em direção à saída da Grécia da União Europeia, o que poderá levar a acontecimentos ainda mais catastróficos. É preciso ter muito cuidado e muita esperança, esperança de que as coisas correrão pelo melhor caminho. Esperemos que sim. Mas, quando se esgotam as opções do costume, é preciso virar para a alternativa. Foi o que verificamos. Foi o que o povo grego quis e fez. Eu não sou de esquerda, mas acredito que o SYRIZA tem capacidade para mudar. Mudar os males do país de Péricles. Por isso, deixo os meus parabéns ao SYRIZA pela vitória e a minha esperança de que farão o que for preciso, sem pisar os limites. E, por último, os meus parabéns a Alexis Tsipras.

Esperemos que a Grécia conheça melhores dias. Deu-nos tanto e não lho retribuímos. Eis agora a nossa lição. E a nossa oportunidade. Vejamos. Esperemos. O futuro agora se desvendará. Tenhamos fé...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

SIIIIIIIIIIIIIIIM!

A propósito da "Bola de Ouro" de Ronaldo. 

Foi com o potente "SIIIIIIIIIIM!" que Cristiano Ronaldo viu, mais uma vez, o seu trabalho recompensado. A terceira "Bola de Ouro" da sua carreira! Mais uma e apanha Messi, que já soma quatro. Esperemos que sim. Uma figura como ele é bastante importante na nossa existência. É um exemplo de trabalho, dedicação, esforço e ambição. Nesse sentido é um exemplo para todos nós, não haja dúvida. Mas mesmo que não a tivesse recebido, teria ganho. A FIFA é uma instituição corrupta e que se dobra a qualquer um que lhe dê um bom maço de notas, mas pronto. Penso que podemos passar isso ao lado. Esta "Bola de Ouro" é um chuto nas "bolas de ouro" dos detratores de Ronaldo. É uma tarte na cara dos críticos de Cristiano. Espere! Não se vá embora! Já acabei! Já acabei!

Parabéns CR7! Vamos lá para mais uma!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Liberdade de imprensa

Se há coisa que odeio visceralmente é o fanatismo.

É tão absurdo utilizar-se o nome de uma figura religiosa em vão com o propósito de terror. O atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo que vitimou 12 pessoas é uma prova de que ainda muita gente tem medo da verdade. Este massacre não ajuda em nada a causa dos que o cometeram. E eu sinto muito pelos muçulmanos. Sinto muito por eles porque há estas bestas que usam a religião para provocar o terror. E a culpa recai nos muçulmanos, estando a maior parte deles inocente! Provavelmente irão sofrer repercussões. Mas regressando ao assunto anterior. Este ataque não sei qual era a sua intenção, mas se era calar os jornalistas, agiu de maneira a ocorrer o oposto. Agora é que irão os jornalistas falar. Agora é que irão os cartoonistas satirizar. Vimo-nos a braços com uma das maiores expressões de ignorância e brutalidade hoje. A ação correta é continuar a fazer o que o jornal fazia. Mais, melhorar ainda mais o que o jornal fazia, se tal for possível. Não nos iremos calar. Não iremos observar passivamente enquanto estas amostras de ser humano agem desta maneira. 

Je suis Charlie. Nous sommes tous Charlie. Nous ne resterons pas silencieux!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano Novo

Sei que já é dia 2, mas ainda vou a tempo.

Na verdade, não tenho nada a dizer. Ou se tenho, é mesmo pouco. Tenho apenas a dizer que já passou mais um ano, agora avançámos de 2014 para 2015, é altura de começar a trabalhar pelos nossos projetos e a realizar os nossos desejos. 

Posto isto, desejo aos meus caríssimos leitores e leitoras um excelente ano de 2015, onde se cumpram todos os vossos desejos e que o passem com aqueles que ama e que vos amam. 
Bom 2015!