segunda-feira, 30 de março de 2015

100 anos da revista Orpheu

Fez na passada terça-feira, dia 24, um século da publicação da Revista Orpheu.

Orpheu é ainda hoje um fenómeno único na literatura portuguesa. Único no sentido em que muita gente tenta ainda perceber o que foi realmente. Tratou-se de algo tão peculiar nas letras portuguesas. Pela primeira vez, a literatura portuguesa encontrava-se em sincronia com a literatura estrangeira. Pela primeira vez, Portugal acompanhava o progresso, nas artes, do resto do Mundo. E foi por essa mesma razão que a revista não vingou. A mudança raramente é bem aceite, e uma sociedade muito presa aos costumes como era a sociedade portuguesa nunca iria aceitar a revolução cultural de bom grado. Assim se sucedeu. Os vários autores que inovaram tanto na revista foram vilipendiados pelas pessoas, gozados e achincalhados pelos críticos e intelectuais. Mas nenhuma dessas provocações reduziu a força de Orpheu. E um segundo número saiu. Então, quero deixar aqui a minha homenagem à revista Orpheu, esse furacão que abanou Portugal, esse terramoto que rompeu com os cânones das artes portuguesas. E homenagear os artistas que tornaram tal possível. Agradecer a Fernando Pessoa (e a Álvaro de Campos), a Mário de Sá-Carneiro, a Almada Negreiros, a Santa-Rita Pintor, a Amadeo de Souza-Cardoso e a outros tantos que contribuíram para a inovação com um pedaço da sua loucura. A esses génios.

E termino assim a minha homenagem àquele que foi, para mim, o movimento mais peculiar, irrepetível e inovador da história da literatura portuguesa. 

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