quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Paco de Lucía (1947-2014)

Flamenco. Um género de música espanhola tocado em guitarra. E o género muito deve a Paco de Lucía.

Adeus, Francisco Sánchez Gómez. Vais-te deste mundo materialmente. Espiritualmente, aqui permaneces, nos corações de todos os que te ouviam e apreciavam. É com tristeza que os teus fãs, os fãs do género em que te notabilizaste e até mesmo aqueles que nem apreciam muito o género que popularizaste te veem partir. Condolências para com os familiares deste grande guitarrista espanhol. 

Descansa em paz, Paco de Lucía. 

Que a justiça (não) seja feita

Há apoiantes de "El Chapo" que desejam a sua libertação.

Esta é boa. O traficante de droga mais procurado do mundo foi capturado e está pronto para pagar pelos seus crimes. No entanto, há centenas de pessoas a exigirem a sua libertação. Esta gente deve achar que é bonito estragar a vida aos outros, assassinar e fugir à Lei. Porque foi isso que fez "El Chapo". Ora, porque o querem libertar? Simples, dizem eles, "El Chapo" ajudou imensas pessoas. Parece um argumento válido, não parece? Mas não é. E não é porquê? Bem, porque se fosse, então Al Capone deveria ter sido libertado porque, apesar de fugir à Lei, assassinar e contrabandear, ajudou imensas pessoas. Ou então, entrando num exemplo imaginário, mas válido, também não merece ser preso Wilson Fisk porque, apesar de fugir à Lei, subornar e de ser o Rei do Crime ocidental, ajuda imensas pessoas. Estes exemplos são válidos para mostrar às pessoas que não é assim, não é porque eu ajudei imensas pessoas, mas fugi à Lei e contrabandeei, que não mereço ir parar à prisão. Tenham juízo.

E está. Fica este aviso. "El Chapo" aguarda julgamento pelos seus crimes e, se a justiça funcionar, pagará pelo que fez, como deve ser. Pode-se, quanto muito, levar em consideração no tribunal o facto de ele ter ajudado essas pessoas. Funcionou com Al Capone.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Desculpe, pode-me dizer onde fica...?

É quase uma vergonha admitir que não sei o nome dos lugares da cidade que me viu nascer e que me vê crescer.

Quando hoje me perguntaram onde ficava o Hospital Novo, eu a essa sabia responder, é fácil. Mas quando, geralmente, me perguntam «Desculpe, pode-me dizer onde fica...?», eu não sei ajudar o senhor, senhora ou jovem que me fez a pergunta. Ora, essa situação é, deveras, aborrecida, não só para quem pergunta, mas também para mim, que me sinto no dever cívico de ser solidário com e ajudar os outros. Então fica em mim um sentimento de impotência e até de fuga ao dever. Não consigo evitar. Eu sei os sítios, claro. Sei como e onde são e como lá chegar, que ruas seguir, em que curvas virar. Só não sei os nomes. E se alguém me pergunta «Desculpe, pode dizer-me onde fica o quartel dos Bombeiros [ou a rua onde fica]», não sei responder. Sei onde é e como lá chegar, só não sei o nome! É estafante. Agora ia a arranjar uma desculpa quando me lembrei que não tenho. Todos os meus amigos e colegas sabem os nomes, apenas eu é que não. Porque será? Não sei bem, mas creio que a razão principal é o facto de eu não ter ligado muito a isso quando era mais novo (aliado ao facto de eu nunca andar a pé). Das duas uma, ou memorizo ou, sempre que surgir «Desculpe, pode-me dizer onde fica...?», passo a responder «Desculpe, não sou de cá». Eu vou para a primeira, não sou muito fã da mentira.

Espero (aliás, sei) que não seja o único a não saber o nome das ruas da cidade onde nasci. E também espero poder, daqui a pouco tempo, enumerar pelo nome, como se de velhos amigos se tratasse, as belas ruas de Braga.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dia de São Valentim

Corações, flores, jantares, chocolates, amor, muito amor.

Digo-o antes de mais nada: estou sozinho, meramente observando os casais à minha volta vivendo felizes os seus momentos juntos... Sim, é uma tristeza. Mais um Dia de São Valentim que passo sozinho, aqui, em frente ao computador, escrevendo este texto. Mas ainda sou jovem, ainda tenho uma vida pela frente. Seria pior se eu estivesse já na meia idade e a escrever isto. Sendo assim, é melhor continuar. Cláudio II ordenou que se proibissem os casamentos. Tal ordem era ridícula, e assim, o bispo Valentim decidiu ignorá-la e continuou a casar as pessoas. Descoberta esta desobediência, Valentim foi encarcerado e condenado à morte. Enquanto esteve preso, muitos jovens enviaram cartas e flores com a mensagem de que ainda acreditavam no amor. Valentim tinha uma namorada (isto, claro, antes da Igreja ter decidido, sem qualquer motivo, que os padres deviam permanecer solteiros), a quem escreveu uma carta antes de ser executado, no dia 14 de fevereiro de 270, na qual dizia o quanto a amava. A carta terminava assim: "do teu Valentim", a expressão que nos dias de hoje é usada. Foi, depois, beatificado.

E já está. Ao contrário de São Valentim, eu estou só. Felizmente, só é apenas uma palavra, e as palavras podem ser apagadas e reescritas. Deixo, então, um voto de felicidade, tanto para os casais, como para aqueles que, como eu, ainda praticam o celibato.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dia Mundial da Rádio

Há quem diga que a televisão substituiu a rádio. Eu a isso respondo: nunca nenhum meio de comunicação substituirá a rádio.

13 de fevereiro de 1946. Foi neste dia que a Rádio das Nações Unidas (UNR) emitiu um programa em simultâneo para seis países. Mas só foi possível esse feito graças aos esforços laboriosos de Heinrich Hertz e Guglielmo Marconi, aproveito e deixo essa homenagem. Desde essa data, 13 de fevereiro do ano de 1946, a rádio acompanhou e acompanha os grandes acontecimentos do mundo. Se podemos afirmar que a rádio mudou o Mundo? Pois claro que mudou. E Portugal não se deixou ficar para traz. É com muito orgulho que deixo uma homenagem às rádios nacionais portuguesas (Antena 1, 2 e 3; Rádio Renascença; RFM e Rádio Comercial) e a todas as outras rádios regionais e locais. Este dia é vosso. Obrigado por parte de todos os portugueses por serem um meio de entretenimento para o nosso povo. Regressando ao Dia Mundial da Rádio, este foi declarado pela UNESCO em 2011.

A rádio mudou o mundo. Encerro com esta afirmação assertiva. Bom Dia Mundial da Rádio, rádios mundiais!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Aspirador de dinheiro

Os parquímetros de Braga, parte 2: A estupidez de novo.

Tudo começou quando, no último ano como autarca, Mesquita Machado decidiu concessionar ruas na cidade de Braga a uma empresa privada para instalar parquímetros. Logo que tomou posse, a primeira medida de Ricardo Rio foi, como qualquer homem decente o decidiria, tirar das ruas os parquímetros e "desconcessionar" as ruas da cidade. No entanto, essa mesma empresa decidiu levar o caso a tribunal. Agora, uma pequena reflexão. Estamos num tribunal português. De um lado, a autarquia a pensar no bem dos cidadãos; do outro, uma empresa privada com intenções de aspirar dinheiro aos cidadãos. Pergunta: Quem ganha? A autarquia... na ilha de Utopia! Ganhou a empresa! Se eu legislasse, criava uma lei para que, com a passagem de um executivo para outro, qualquer contrato que não fosse do interesse dos cidadãos seria imediatamente anulado. Infelizmente, existe nesta frase da conjunção subordinativa condicional "se". Eu sou pacifista e não sou, de modo nenhum, apologista da violência, mas isto não devia ser aceite. Os meus compatriotas, que mais revoltados estão do que eu, visto que ainda não conduzo, deviam atirar um ou dois ou três dúzias de ovos à casa do anterior autarca, ou, quem sabe, talvez ocupar o lugar dos juízes, a ver se eles gostam de ter pressa e os únicos lugares onde estacionar sejam pagos.

Como disse, não sou pela violência, mas alguém deveria fazer barulho. Porque não fazes tu barulho?, ouço alguém perguntar. Simples. Já disse que sou pacifista e não gosto de me envolver em manifestações. No entanto, quanto às que têm a razão do seu lado, sou um fervoroso apoiante.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Philip Seymour Hoffman (1967-2014)

O Fado (o destino, não o tipo de música portuguesa) pode ser cruel.

Sim, é verdade. Dói o peito e a garganta dá um nó, mas a vida tem destas. Faleceu o célebre ator Philip Seymour Hoffman, vencedor de um Óscar em 2006, pelo seu papel como Truman Capote em "Capote". Como todos os in memoriam que aqui publico, não se pode expressar a dor por palavras, apenas sentindo o podemos fazer. Não é diferente este caso. Ficam as minhas condolências para com a família do falecido ator.

É assim que fevereiro inicia. Com a perspetiva de um "Hunger Games" sem Plutarch Heavensbee (tentativa de animar a tristeza).