terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O CDS-PP sem o seu PP

Que maneira de acabar o ano! O Paulo Portas anunciar que não se vai recandidatar à liderança do CDS-PP após 16 anos à frente do partido. Portas é o líder do CDS desde que eu me lembro de ouvir falar de política na televisão. Começou como jornalista, mas depressa enveredou pelas malhas do jogo partidário, até chegar à liderança do partido em 1998. Desde então, Portas sempre foi aquele deputado cuja voz exaltada mais criticava a atuação dos governos socialistas. Recordo em específico uma altura em que Portas conseguiu mesmo com que Sócrates não conseguisse responder às acusações, por lhe faltarem palavras para tal (se não estou em erro, foi em inícios de 2010...). Enquanto candidato às eleições legislativas, a imagem mais marcante de Portas é o de "Paulinho das Feiras", o candidato das visitas às feiras e dos beijinhos às idosas. É o fim do seu ciclo político à frente do partido. Mas não é o fim da vida política de Portas. Ainda ouviremos falar muitas vezes o seu nome, não duvido. 
Politicamente, nunca fui adepto de Paulo Portas. No entanto, penso que, como político, Portas foi como nenhum outro. Soube sempre aproveitar as oportunidades que lhe caíam no colo, sabendo bem manipular os argumentos e os factos em seu favor. 

Agora deixa a liderança do partido, no próximo congresso do CDS-PP. Foram muitos anos. Dos líderes partidários que mais tempo esteve à frente do partido. Agora o CDS perde o seu PP. E um novo ciclo se inicia nesse partido. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A banca só estraga tudo

Esta semana recebemos uma prenda de Natal antecipada: mais uma vez vamos ver parte dos nossos vencimentos surripiados para ajudar mais um caso perdido. Mas há mais! Aparentemente, resgatar um banco é canja de galinha, mas garantir o regular funcionamento das coisas é demasiado trabalhoso. Um homem de 29 anos morreu na segunda feira porque precisava de ser operado de urgência, mas o hospital não tinha o pessoal disponível. Ou uma desculpa parecida. Este caso só comprova que caímos no ridículo. O Estado sempre viu na banca a sua prioridade. Pessoas? Essas morrem todos os dias, que se há de fazer? Agora, os bancos? Esses que não vêm mais nada à frente a não ser números e capital? Esses que arruinaram tudo, destruíram vidas e aniquilaram a economia mundial? Esses é que merecem ser ajudados pelo Estado. Realmente, é apenas e só lógico. Ajudar o banco dá dinheiro, ajudar as pessoas não. Naturalmente, ajuda-se os bancos. Mete nojo. Admito-me enojado com a classe política que nos olha de lá do topo da imunidade aparente. Mas eles não estão seguros. Basta algo rebentar, e a sua segurança cai por terra. Eu espero que não tenha de chegar a isso. Ainda confio nos jovens políticos. Os dinossauros podem morrer todos, não quero saber. Desde que os jovens façam diferente... que utopia... eu devia deixar de sonhar tanto. Os políticos jovens são formatados exatamente como as velharias. E isso enfurece-me de tal maneira. Por isso, confesso-me farto, mas impotente. Não tenho ilusões de conseguir mudar alguma coisa. Mas não perdi a esperança. Talvez seja a altura do ano a inspirar-me. Talvez seja um sonhador iludido. Que seja. Ao menos vivo com a esperança de haver felicidade, em vez de viver sem felicidade alguma. Os bancos podiam ir todos ao fundo, por mim. Mas deixar uma pessoa morrer desta maneira? Ridículo! 

E é tudo. Um feliz Natal a todos vocês desse lado!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O Natal deste ano

Numa das suas últimas intervenções, o papa Francisco disse algo que me deixou pensativo. E depois de refletir, decidi escrever o meu entendimento.

O papa disse no outro dia que este ano o Natal era uma fantochada, uma farsa. E disse isto a propósito de quê? Disse estas palavras polémicas (para a generalidade das pessoas, eu concordo plenamente) quanto ao entendimento que o ser humano tem do Natal. O Natal é uma época de paz, de amor e de entendimento entre as pessoas. Mas porque deve ser só durante o Natal? Porque não pode haver paz, amor e entendimento durante o ano inteiro? É a hipocrisia que caracteriza a sociedade moderna. E o papa atingiu na mouche o problema inteiro. O ser humano não pode, segundo ele, falar de paz e amor quando ainda não conseguiu compreender o alcance destes. Não podemos dizer que praticamos o bem quando só o fazemos uma vez por ano, durante uma semana. Estas palavras são realmente esclarecedoras, mas as pessoas continuam sem perceber. Preferiram fazer polémica à volta delas do que refletir no seu significado. E é a sociedade que temos. Infelizmente, não podemos escolher. Mas que podemos fazer. Se nem o papa consegue fazer as pessoas pensar um bocado, que podem pobres coitados como eu que tentam alertar as pessoas para estes factos, escrevendo. 

A sociedade precisa de ser mudada. Urgentemente. Este ano, o Natal é falso. A sua mensagem é oca. Quando pensarem em paz e amor, pensem neles mesmo, e não apenas nas palavras. Reflitam. Pode ser que assim mude alguma coisa. É o meu desejo. Portanto, boas festas para vocês.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sobre o primeiro de dezembro

Todos nós estamos familiarizados com a celebração do 1 de dezembro. Sabemos todos o que esta significa a nível histórico e o que esta tem de relevante para a história de Portugal. O 1 de dezembro simboliza a resistência histórica com a qual o povo português é conotado. A 1 de dezembro de 1640, realizou-se uma conspiração que vinha a ser planeada de antes para retomar o trono e restaurar a independência de Portugal. Convidado para ser rei foi João, duque de Bragança. Mas este inicialmente rejeitou a ideia. No entanto, a conspiração manteve-se viva e a retoma deu-se nessa data do último mês do calendário gregoriano. Invadiram o Paço da Ribeira e mataram o representante português da coroa espanhola, Miguel de Vasconcelos. Quando finalmente convencido da necessidade de ascender ao trono, João de Bragança assim o fez e tornou-se D. João IV, de cognome o Restaurador. E é esta a história factual. A história simbólica é outra. Foi, sobretudo, uma conspiração da nobreza, mas a revolta foi popular. Daqui se retira aquilo que, ao longo da história, nos tem chegado em maior quantidade ao presente: que o planeamento e a conspiração podem ser feitos por meia dúzia de indivíduos, mas sem o apoio popular, sem o suporte da maioria, de nada serve. Também se retira simbolicamente a força com que os portugueses são conotados. Ninguém, por mais que queira, consegue dominar a vontade lusitana de combater a opressão. O domínio espanhol cessou nesse dia. Espanha sempre batalhou Portugal, buscando o território deste. Mas, por alguma razão, Portugal ainda é Portugal. Esteve perto de deixar de o ser, mas a vontade dos portugueses triunfou. Triunfa sempre. Quase sempre. Algumas vezes...

A ilação mais importante a retirar daqui é, e citando o grande e eterno Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". E a alma lusitana não é pequena. A alma lusitana tem o tamanho do meio mundo que por sua vontade desvendou.