terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sobre o primeiro de dezembro

Todos nós estamos familiarizados com a celebração do 1 de dezembro. Sabemos todos o que esta significa a nível histórico e o que esta tem de relevante para a história de Portugal. O 1 de dezembro simboliza a resistência histórica com a qual o povo português é conotado. A 1 de dezembro de 1640, realizou-se uma conspiração que vinha a ser planeada de antes para retomar o trono e restaurar a independência de Portugal. Convidado para ser rei foi João, duque de Bragança. Mas este inicialmente rejeitou a ideia. No entanto, a conspiração manteve-se viva e a retoma deu-se nessa data do último mês do calendário gregoriano. Invadiram o Paço da Ribeira e mataram o representante português da coroa espanhola, Miguel de Vasconcelos. Quando finalmente convencido da necessidade de ascender ao trono, João de Bragança assim o fez e tornou-se D. João IV, de cognome o Restaurador. E é esta a história factual. A história simbólica é outra. Foi, sobretudo, uma conspiração da nobreza, mas a revolta foi popular. Daqui se retira aquilo que, ao longo da história, nos tem chegado em maior quantidade ao presente: que o planeamento e a conspiração podem ser feitos por meia dúzia de indivíduos, mas sem o apoio popular, sem o suporte da maioria, de nada serve. Também se retira simbolicamente a força com que os portugueses são conotados. Ninguém, por mais que queira, consegue dominar a vontade lusitana de combater a opressão. O domínio espanhol cessou nesse dia. Espanha sempre batalhou Portugal, buscando o território deste. Mas, por alguma razão, Portugal ainda é Portugal. Esteve perto de deixar de o ser, mas a vontade dos portugueses triunfou. Triunfa sempre. Quase sempre. Algumas vezes...

A ilação mais importante a retirar daqui é, e citando o grande e eterno Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". E a alma lusitana não é pequena. A alma lusitana tem o tamanho do meio mundo que por sua vontade desvendou. 

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