segunda-feira, 24 de novembro de 2014
100
Ok, talvez esta seja a centésima primeira crónica, mas mesmo assim, atingimos o número dos dois zeros. Sim, atingimos, caro leitor. Atingimos, e o destaque especial é para si! Porque sem si, eu apenas escreveria, não transmitiria as minhas opiniões pessoais ao mundo. É ao leitor que se deve, principalmente, a vitória de atingirmos 100 crónicas. Sem o seu apoio e a sua recetividade (e agora uma nota especial a vocês, meus familiares e amigos), este espaço não seria possível. Por isso, muito obrigado. E parabéns a nós, querido leitor e querida leitora, por conseguirmos chegar até aqui!
sábado, 22 de novembro de 2014
Detenção de José Sócrates - um dia histórico
Um evento único, histórico e, atrevo-me a dizer, inesperado, na história da democracia em Portugal.
A detenção de José Sócrates é uma notícia única em Portugal. Única no sentido em que é a primeira vez que um ex-governante é detido pelas autoridades. Muitos políticos se meteram já em encrencas, menos de metade já foi a tribunal por causa das mesmas. Mas nunca antes, na história da democracia em Portugal, um ex-governante tinha sido detido no seguimentos de uma investigação. Trata-se de um grande passo dado pela Justiça. E tenho a certeza de que Sócrates não será o último. É este o resultado de se brincar com os dinheiros públicos. A casa de Sócrates em Paris era um luxo no valor de 3 milhões de euros... Desde quando é que um homem que nunca fez nada da vida além de ser militante de um partido e primeiro-ministro consegue pagar algo assim? Mas melhor, só mesmo as reações a esta notícia... Edite Estrela, num óbvio acesso de lucidez, comentou: "Qual a melhor forma de desviar as atenções do escândalo dos vistos gold?"... Sem comentários. É precisamente o contrário, minha senhora. O escândalo dos vistos gold é que distraem das restantes encrencas, que se começam a desenterrar. E, em resposta ao que disse o deputado João Soares, Sócrates não precisava de ser detido se não tivesse culpa. A culpa dessa "humilhação" de que fala é do ex-primeiro-ministro, e de mais ninguém.
Aí está. Nada mais tenho a dizer. Apenas anseio celeridade no apuramento da verdade. E concluo com uma saudação à generalidade dos dirigentes políticos, que revelaram moderação nas suas reações.
A detenção de José Sócrates é uma notícia única em Portugal. Única no sentido em que é a primeira vez que um ex-governante é detido pelas autoridades. Muitos políticos se meteram já em encrencas, menos de metade já foi a tribunal por causa das mesmas. Mas nunca antes, na história da democracia em Portugal, um ex-governante tinha sido detido no seguimentos de uma investigação. Trata-se de um grande passo dado pela Justiça. E tenho a certeza de que Sócrates não será o último. É este o resultado de se brincar com os dinheiros públicos. A casa de Sócrates em Paris era um luxo no valor de 3 milhões de euros... Desde quando é que um homem que nunca fez nada da vida além de ser militante de um partido e primeiro-ministro consegue pagar algo assim? Mas melhor, só mesmo as reações a esta notícia... Edite Estrela, num óbvio acesso de lucidez, comentou: "Qual a melhor forma de desviar as atenções do escândalo dos vistos gold?"... Sem comentários. É precisamente o contrário, minha senhora. O escândalo dos vistos gold é que distraem das restantes encrencas, que se começam a desenterrar. E, em resposta ao que disse o deputado João Soares, Sócrates não precisava de ser detido se não tivesse culpa. A culpa dessa "humilhação" de que fala é do ex-primeiro-ministro, e de mais ninguém.
Aí está. Nada mais tenho a dizer. Apenas anseio celeridade no apuramento da verdade. E concluo com uma saudação à generalidade dos dirigentes políticos, que revelaram moderação nas suas reações.
domingo, 9 de novembro de 2014
25.º aniversário da queda do Muro de Berlim
É um momento inspirador de se observar. Amigos, vizinhos, e afins separados uns dos outros só porque duas potências não se entendiam, poderem encontrar-se novamente.
A data e a memória da queda do Muro de Berlim servem para nos lembrar constantemente que quem sofre pelos confrontos de interesses de meia dúzia de governantes é o povo. São as pessoas quem realmente sofre quando existem conflitos de interesses. "A água bate na rocha, mas quem paga é o mexilhão" está corretíssimo. E essa memória, a memória da queda do muro, serve para nos motivar, para nos fazer resistir e nunca desistir face às adversidades. O que conseguiu o povo alemão com a sua luta? Destruir o muro. E pedaços do muro encontram-se espalhados pelo mundo. São símbolos de que os povos, as nações, devem ser unidos, nunca se devem tentar aniquilar. A paz é possível, mas apenas quando deixarmos de ser governados pelas bestas desumanas de agora e de sempre. E, claro, uma imagem para concluir.
O reencontro de irmãos. As emoções fortes. O fim da separação. A reunificação da Alemanha. O coroar de uma luta. Triunfo da paz e da harmonia sobre os interesses mesquinhos e os confrontos estúpidos de vontades e de interessezinhos. Tudo isto é a queda do Muro de Berlim.
A História tem a função de nos ensinar a não cometer os erros do passado. Infelizmente, somos todos casmurros. Eu vejo esta situação a repetir-se no caso de Israel e Palestina. E é com esperança que digo que esta imagem em breve virá desses países. É só esperar.
A data e a memória da queda do Muro de Berlim servem para nos lembrar constantemente que quem sofre pelos confrontos de interesses de meia dúzia de governantes é o povo. São as pessoas quem realmente sofre quando existem conflitos de interesses. "A água bate na rocha, mas quem paga é o mexilhão" está corretíssimo. E essa memória, a memória da queda do muro, serve para nos motivar, para nos fazer resistir e nunca desistir face às adversidades. O que conseguiu o povo alemão com a sua luta? Destruir o muro. E pedaços do muro encontram-se espalhados pelo mundo. São símbolos de que os povos, as nações, devem ser unidos, nunca se devem tentar aniquilar. A paz é possível, mas apenas quando deixarmos de ser governados pelas bestas desumanas de agora e de sempre. E, claro, uma imagem para concluir.
O reencontro de irmãos. As emoções fortes. O fim da separação. A reunificação da Alemanha. O coroar de uma luta. Triunfo da paz e da harmonia sobre os interesses mesquinhos e os confrontos estúpidos de vontades e de interessezinhos. Tudo isto é a queda do Muro de Berlim.
A História tem a função de nos ensinar a não cometer os erros do passado. Infelizmente, somos todos casmurros. Eu vejo esta situação a repetir-se no caso de Israel e Palestina. E é com esperança que digo que esta imagem em breve virá desses países. É só esperar.
domingo, 2 de novembro de 2014
Fanatismo
Não, não vou falar do Estado Islâmico. Vou falar de um nível de estupidez ligeiramente menor mas não menos perigoso.
No final do jogo do Sporting com o Vitória de Guimarães, dois adeptos leoninos foram esfaqueados. Mas que é isto, pá? Alguém me consegue explicar? Não tem explicação possível. Se fossem os adeptos da equipa perdedora a agredir os adeptos da equipa vencedora, já havia lógica. Mas os que venceram a esfaquear os que perderam? Faz algum sentido isto? Se dependesse de mim, se eu fosse presidente do Vitória, proibia o clube de jogar até aparecer o inimputável que causou tudo. Se ele aparecesse, adeus, foste preso, bem-feita. Se ele não aparecesse, olha amigo, diz aos teus colegas que não façam palermices e o clube volta a jogar. Era simples. Mas não sou presidente de um clube, sou uma pessoa que nunca compreendeu o fascínio pelo futebol e que, sempre que tenta encontrá-lo, aparecem coisas destas nas notícias. É vergonhoso.
Aparte: Na França os confrontos que se verificam começaram após a morte de um ecologista que se manifestava contra a construção de uma barragem. Primeiro, manifestar-se contra as barragens é parvoíce. Não só é uma fonte de energia fiável e não poluidora, como não estraga, de modo nenhum, a paisagem nem interfere com o ecossistema. Segundo, a violência é uma questão de caos. Um bater de asas causa um furacão. Nós podemos evitar a violência).
Fanatismo não é só religioso. Este fanatismo futebolístico é tão estúpido como o outro, e ninguém faz nada para o destruir.
Atualização: Afinal o futebol foi apenas desculpa de meia dúzia de hooligans para serem estúpidos. O que acaba por ser ainda pior. Assim não vale a pena ir ver futebol, que já sabemos o que nos espera! E mais uma vez se nota a sede dos média em atirar achas para a fogueira. Escândalo vende. É triste...
No final do jogo do Sporting com o Vitória de Guimarães, dois adeptos leoninos foram esfaqueados. Mas que é isto, pá? Alguém me consegue explicar? Não tem explicação possível. Se fossem os adeptos da equipa perdedora a agredir os adeptos da equipa vencedora, já havia lógica. Mas os que venceram a esfaquear os que perderam? Faz algum sentido isto? Se dependesse de mim, se eu fosse presidente do Vitória, proibia o clube de jogar até aparecer o inimputável que causou tudo. Se ele aparecesse, adeus, foste preso, bem-feita. Se ele não aparecesse, olha amigo, diz aos teus colegas que não façam palermices e o clube volta a jogar. Era simples. Mas não sou presidente de um clube, sou uma pessoa que nunca compreendeu o fascínio pelo futebol e que, sempre que tenta encontrá-lo, aparecem coisas destas nas notícias. É vergonhoso.
Aparte: Na França os confrontos que se verificam começaram após a morte de um ecologista que se manifestava contra a construção de uma barragem. Primeiro, manifestar-se contra as barragens é parvoíce. Não só é uma fonte de energia fiável e não poluidora, como não estraga, de modo nenhum, a paisagem nem interfere com o ecossistema. Segundo, a violência é uma questão de caos. Um bater de asas causa um furacão. Nós podemos evitar a violência).
Fanatismo não é só religioso. Este fanatismo futebolístico é tão estúpido como o outro, e ninguém faz nada para o destruir.
Atualização: Afinal o futebol foi apenas desculpa de meia dúzia de hooligans para serem estúpidos. O que acaba por ser ainda pior. Assim não vale a pena ir ver futebol, que já sabemos o que nos espera! E mais uma vez se nota a sede dos média em atirar achas para a fogueira. Escândalo vende. É triste...
sábado, 1 de novembro de 2014
Avô
Avô Quico
José Francisco Lopes de Matos.
Avô Quico,
fazes-me falta. Percebo que tudo o que principia tem o seu fim, mas nunca
esperei que chegasse tão cedo o teu fim. Nunca percebi porque te levou o Senhor
tão cedo. Quando partiste, eu tinha já idade para compreender essas coisas. Mas
não tinha ainda idade para perder mais um avô. Entristeceu-me, claro. Ver-te
partir, depois de tanto tempo, depois de tanta luta. Combateste aqueles
enfartes que te perseguiram durante a vida, mas o coração cansou-se de lutar e
adormeceu, para nunca mais acordar. Sinto muita falta dos momentos que passei
contigo. Sinto falta das tuas histórias. Sinto falta das tuas anedotas (que
engraçadas que eram, ria-me sempre). Sinto falta da tua voz, daquela tua voz
carregada de sabedoria. Sinto falta das vezes em que dormia na tua casa, e das
vezes em que tu e a avó Sãozinha me levavam à igreja, aos Domingos. Sinto falta
daqueles momentos em que tu me levavas, a mim e ao meu irmão, a apanhar figos
daquela figueira (ainda lá está, ainda dá figos. Noutro dia apanhei um. Cada
dentada era uma memória. Cada pedaço do figo era uma história tua). Sinto falta
das vezes em que íamos os três ao monte apanhar as canas do fogo-de-artifício,
nos dias depois das festas. Sinto falta tua. Saudades. Sei que, como acreditavas
nessas coisas, estarás no Paraíso, porque em vida só espalhaste alegria, só
espalhaste o bem. Deixaste-nos sós quando partiste. Mas sei, sinto, que nunca
estaremos sós. Tu estarás sempre connosco, no nosso coração, na nossa memória.
Nunca serás esquecido, garanto. E para sempre serás amado por mim, pelos teus
filhos, pela tua família. Estarás sempre presente, embora estejas ausente.
Avô Martins
Augusto Cardoso da Silva Martins
Avô
Martins, não cheguei a conhecer-te. Pelo menos, não cheguei a compreender que
te conheci. Era tão novo quando partiste. Ainda nem um ano tinha e já tu
partias, nos deixavas. Foi o cancro. Essa doença fatal, essa desoladora
condição. Foi o cancro que te levou, que nos roubou um avô, um pai, um marido,
um homem. Foi um cancro no pâncreas, como aquele que levou o Steve Jobs. No
entanto, embora sejas menos conhecido que ele, sentirei muita mais falta tua.
Nunca conheci nenhum dos dois, mas tu ainda me pudeste dar um beijo de
despedida, essa conexão é suficiente. Não me lembro desse momento, era
demasiado jovem, demasiado recente no mundo. Mas a minha imaginação já se
encarregou de preencher essa lacuna. Tenho quase a certeza de que esse momento
aconteceu da forma como o imagino, ou então, semelhante. É a memória que tenho
de ti, criada com a imaginação. Deixaste um vazio no coração daqueles que te
conheceram, mais no da tua família. A avó Rosinha ainda me conta histórias
tuas. Noto-lhe o brilho nostálgico nos olhos sempre que o faz. Tenho a certeza
que ninguém sente mais a tua falta do que ela. Mas a certeza cruel do mundo, a
crua verdade, é que todos temos de partir um dia. O teu dia foi agendado pelo
cancro de que padecias, é injusto teres morrido dessa forma, em dores
constantes, em sofrimento. Merecias ter vivido mais uns anos, mais tempo. Mas partiste.
Mas uma certeza tenho. Onde quer que estejas agora, não é em sofrimento que te
encontras. Será em paz? Será em descanso? Tenho a certeza que sim. Em merecida
paz depois de uma vida preenchida e de um final terrível. Mas estarás sempre
presente. Aqui mesmo, no meu coração.
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