sábado, 1 de novembro de 2014

Avô

                  Avô Quico

José Francisco Lopes de Matos.


Avô Quico, fazes-me falta. Percebo que tudo o que principia tem o seu fim, mas nunca esperei que chegasse tão cedo o teu fim. Nunca percebi porque te levou o Senhor tão cedo. Quando partiste, eu tinha já idade para compreender essas coisas. Mas não tinha ainda idade para perder mais um avô. Entristeceu-me, claro. Ver-te partir, depois de tanto tempo, depois de tanta luta. Combateste aqueles enfartes que te perseguiram durante a vida, mas o coração cansou-se de lutar e adormeceu, para nunca mais acordar. Sinto muita falta dos momentos que passei contigo. Sinto falta das tuas histórias. Sinto falta das tuas anedotas (que engraçadas que eram, ria-me sempre). Sinto falta da tua voz, daquela tua voz carregada de sabedoria. Sinto falta das vezes em que dormia na tua casa, e das vezes em que tu e a avó Sãozinha me levavam à igreja, aos Domingos. Sinto falta daqueles momentos em que tu me levavas, a mim e ao meu irmão, a apanhar figos daquela figueira (ainda lá está, ainda dá figos. Noutro dia apanhei um. Cada dentada era uma memória. Cada pedaço do figo era uma história tua). Sinto falta das vezes em que íamos os três ao monte apanhar as canas do fogo-de-artifício, nos dias depois das festas. Sinto falta tua. Saudades. Sei que, como acreditavas nessas coisas, estarás no Paraíso, porque em vida só espalhaste alegria, só espalhaste o bem. Deixaste-nos sós quando partiste. Mas sei, sinto, que nunca estaremos sós. Tu estarás sempre connosco, no nosso coração, na nossa memória. Nunca serás esquecido, garanto. E para sempre serás amado por mim, pelos teus filhos, pela tua família. Estarás sempre presente, embora estejas ausente. 



        Avô Martins

Augusto Cardoso da Silva Martins

Avô Martins, não cheguei a conhecer-te. Pelo menos, não cheguei a compreender que te conheci. Era tão novo quando partiste. Ainda nem um ano tinha e já tu partias, nos deixavas. Foi o cancro. Essa doença fatal, essa desoladora condição. Foi o cancro que te levou, que nos roubou um avô, um pai, um marido, um homem. Foi um cancro no pâncreas, como aquele que levou o Steve Jobs. No entanto, embora sejas menos conhecido que ele, sentirei muita mais falta tua. Nunca conheci nenhum dos dois, mas tu ainda me pudeste dar um beijo de despedida, essa conexão é suficiente. Não me lembro desse momento, era demasiado jovem, demasiado recente no mundo. Mas a minha imaginação já se encarregou de preencher essa lacuna. Tenho quase a certeza de que esse momento aconteceu da forma como o imagino, ou então, semelhante. É a memória que tenho de ti, criada com a imaginação. Deixaste um vazio no coração daqueles que te conheceram, mais no da tua família. A avó Rosinha ainda me conta histórias tuas. Noto-lhe o brilho nostálgico nos olhos sempre que o faz. Tenho a certeza que ninguém sente mais a tua falta do que ela. Mas a certeza cruel do mundo, a crua verdade, é que todos temos de partir um dia. O teu dia foi agendado pelo cancro de que padecias, é injusto teres morrido dessa forma, em dores constantes, em sofrimento. Merecias ter vivido mais uns anos, mais tempo. Mas partiste. Mas uma certeza tenho. Onde quer que estejas agora, não é em sofrimento que te encontras. Será em paz? Será em descanso? Tenho a certeza que sim. Em merecida paz depois de uma vida preenchida e de um final terrível. Mas estarás sempre presente. Aqui mesmo, no meu coração. 

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