quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Camarate

O que nos pode dizer um caso como o que aconteceu no dia 4 de dezembro de 1980, em Camarate?

Acidente. A versão "oficial" (mais aceite) do que se passou nesse fatídico dia. Um acidente, falha humana ou tecnológica, que privou Portugal deste promissor político, nomeado primeiro-ministro quase um ano antes. Francisco Sá Carneiro foi o nome mais sonante do desastre, mas outros pereceram, como Adelino Amaro da Costa e Snu Abecassis. A vida de Sá Carneiro terminou cedo de mais. Nunca se poderá avaliar o que ele fez pelo país já no poder, mas a sua carreira política anterior será para sempre recordada. A oposição ao Estado Novo dentro do país. Sá Carneiro tinha tanto para nos dar, mas não pôde. Foi-lhe ceifada a vida antes que pudesse agir. Não deixa de ser irónico, a comparação entre lideranças modernas ruinosas para o país (tanto à esquerda como à direita, não sejamos cegos) que duram anos, dois, três mandatos e estes mandatos brevíssimos de políticos que poderiam muito bem ter feito melhor que os "maus" em menos tempo. 
Atentado. Hum, as teorias de conspiração. Sim, é verdade. Não se pode excluir a hipótese de se ter tratado, no final de contas, de um atentado, fosse direcionado a Amaro da Costa (ministro da Defesa na altura), fosse direcionado mesmo a Sá Carneiro, com o propósito de o eliminar do caminho (nunca irei compreender essa fraqueza humana), é algo que, sendo provado como verdadeiro, não deixa de ser muito grave. Gravíssimo, diria. Seria voltar aos tempos da Primeira República, aos "governos dos cinco minutos", aos atentados a torto e a direito. Ainda bem que não foi tudo por esse caminho.

A conclusão: quer tenha sido um acidente, quer tenha sido um atentado, foi um momento chocante na história do país. Foi assistir ao perecimento de um homem que tinha tanto para dar. Nunca saberemos o que tinha para dar, exatamente, mas se o tinha, dá-lo-ia sem dúvidas. Esse era o homem, no final de contas, que era Francisco Sá Carneiro.

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