Não podia deixar passar esta data, pois não? O dia mundial do Livro e dos direitos de autor é celebrado neste dia porque, por convenção histórica, falecerem neste mesmo dia, há 400 anos, William Shakespeare e Miguel de Cervantes, incontornáveis figuras da literatura mundial e pilares da literatura dos seus respetivos países.
Ora bem, dito isto, o que me traz por cá é o tema da leitura no nosso país. Ou seja, de como desde Camões que somos uma cambada de incultos que apenas ligam ao futebol e pouco mais.
Peço desde já desculpa pela minha crueza, mas revolta-me que a nossa cultura seja de desprezo pela leitura. Quando digo despreza, falo a sério. Existe toda uma cultura de "ler? para que serve isso?" que me deixa solenemente entristecido com os meus conterrâneos. E as provas disso é as dificuldades por que passam muitos escritores (com escritores, entenda-se escritores a sério, não escritores que são famosos). Mas longe das questões monetárias (que são literalmente um grão de areia no deserto para mim), é mesmo a cultura de não ter cultura que me aborrece, aquela cultura do eu podia ler, mas vou antes ver programas de lixo televisivo. Ler é uma atividade solene, é descobrir outros mundo, é enriquecer o pensamento, é pensar pela própria cabeça, saber ser crítico. O povo português não gosta de pensar, é uma certeza histórica. Dá trabalho, pensar. E como todos sabemos, não vale a pena ler, nos dias de hoje o que importa mesmo é saber matemática e ciências, isso é que é útil para o futuro. Chateio-me com isto, que se há de fazer?
Eu podia escrever muita mais coisa. Mas não o farei. Não vale a pena. Nunca conseguiremos mudar. Por isso mesmo, já deixei a minha crítica, agora calo-me e celebro em paz este dia. Eu e outros muitos como eu. Sim, que felizmente, há pessoas que não praticam esta cultura de incultura. A elas, um bem haja. A vocês, leitores, boa semana. E a Cervantes e Shakespeare, ergamos os nosso livros.
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