quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Da justiça, de juízes vergonhosos e de um corrupto ainda à solta

A justiça precisa de reformas a sério e urgentemente.

Foi com muita desilusão (infelizmente, o espanto foi pouco) que ouvi a notícia de que as escutas que envolviam José Sócrates (essa terrível sombra que ainda paira sobre nós) no processo foram destruídas. E ponto final. Destruídas. Assim, sem mais nem menos, sem segundas opiniões, sem um mínimo de decência, um nojo. É repugnante assistir a um juiz (ou mais) que se deixa levar pelos tostões prometidos do corrupto, que se vende sem um mínimo de decência, assim, como uma prostituta judicial. As garras da corrupção são longas e duras. Levam a que estes impunes ex-ministros, ex-figuras públicas, ex-tudo o que garantir um tachinho ou dois pensem que podem escapar sem que a espada da justiça desfira o seu golpe. É triste, é uma vergonha, é o que as infraestruturas de uma democracia mal planeada desde o princípio criam. É a justiça com que temos de lidar. Mas não será a justiça com que teremos de lidar. Eu não sou muito a favor da justiça popular (i.e. "olho por olho, dente por dente"), mas é uma opção que começa a parecer mais justa do que a justiça em si. E quando isso acontece, ou muda a justiça, ou o povo desata a partir tudo e todos. Eu espero que a justiça consiga ressuscitar (sim, porque a justiça morreu), mas espero também que o povo agarre no José Sócrates. Ele pode fugir aos juízes, mas não foge ao povo que maculou. 

Dito isto, espero que o juiz que condescendeu a que as escutas fossem destruídas seja também apanhado pelos populares, para poder aprender o que é que significa justiça a sério. 

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